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Esportes do Espírito


Pezado amigo(a).

Em resposta à sua indagação sobre os esportes e a Vida Espiritual serei breve com alguns apontamentos.

As atividades esportivas, no campo do Espírito, podem começar para qualquer um, na próxima existência terrestre.

Exemplos:

Aí mesmo na Terra, ser-nos-á possível praticar a ginástica dos pensamentos nobres contra as tentações de ordem inferior, utilizando a barra do silêncio.

A corrida até os lares infelizes, disputando-se os primeiros lugares no auxílio aos irmãos em penúria.

O salto sobre as ofensas, com o esquecimento do mal.

A natação no suor do trabalho.

O xadrez da reflexão, a fim de que se aprenda a raciocinar para o concurso da solução dos problemas domésticos.

A disciplina sistemática para abstenção dos alcoólicos e similares.

A contribuição possível, ajustada com segurança ao cesto da beneficência.

O treinamento da respiração que nos obrigue à calma, de modo a que se evite o agravo de discussões e antagonismos, onde estejamos.

O alpinismo do sacrifício para a conquista dos cimos da elevação.

Os remos do serviço que nos reequilibrem as próprias forças.

As excursões pacíficas que nos ensinem o endereço dos que sofrem, a fim de reconfortá-los.

A limpeza da própria moradia com as melhores notas de higiene.

Qual você poderá observar, aí estão algumas regras para a iniciação.

E não podemos esquecer o nosso futebol das boas ações. Cada prestação de serviço ao próximo é um destaque a mais para o time a que você pertence.

Nessa base, temos diariamente as melhores oportunidades de exercício e competição.

É muito fácil reconhecer a nossa posição nos escores de qualquer um dos esportes do Espírito.

Se o assunto realmente nos interessa, todos os dias, ser-nos-á possível observar quem serve mais.

Augusto Cezar

Sobre o Autor:
Espírito com diversas mensagens publicadas na vasta obra de Chico Xavier, apresenta lingüagem bastante singular direcionada ao público jovem.



 

Agressores e Vítimas



Diante de crimes hediondos, suicídios, tragédias provocadas (como atentados e seqüestros dramáticos), a perplexidade domina os círculos da sociedade humana.

Seria o caso de perguntar: os autores intelectuais ou executantes de tais atrocidades nasceram com tal “missão”, ou sejam, vieram programados para serem instrumentos da maldade, da inconsequência? O que o Espiritismo tem a dizer? 

Não! Absolutamente não! Todos os que habitamos o planeta estamos destinados ao progresso, ao bem geral, à harmonia na convivência, convidados à solidariedade. Nunca poderemos dizer que tudo que acontece na vida de qualquer pessoa “já estava escrito antes”, pois esta afirmação contraria o bom senso, a lógica, e mesmo a autêntica e real possibilidade que sempre temos de alterar o rumo dos fatos. 

Conforme explica O Livro dos Espíritos nas questões 851 a 867 (que recomendamos ao leitor para aprofundar o assunto), de “fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só instante da morte o é mesmo”, sintetizando as respostas às questões citadas. 

Ocorre que no planejamento de uma nova existência, o então futuro reencarnante escolhe o gênero de provas que deseja passar (visando seu próprio aprendizado) e pelo fato dessa escolha se expõe a determinadas situações de risco que podem colocá-lo diante da perspectiva de praticar um crime, um delito, uma tragédia. Porém, e aí está o “x” da questão: qualquer pessoa sempre tem a liberdade de agir ou não. Sempre pode optar por fazer ou deixar de fazer. 

Desta liberdade de ação, característica do livre-arbítrio, decorrem conseqüências pelas quais todos responderemos, criminal ou moralmente – no caso de danos causados a terceiros ou à sociedade em geral –, ou colheremos os frutos do mérito no caso das boas ações. E as conseqüências danosas no campo moral, nem sempre conhecidas ou reparadas pela justiça humana, repercutem nesta mesma ou em futuras existências nas limitações e dificuldades que uma única existência jamais conseguirá explicar. 

Por isso é melhor agir no bem. Pensar bem antes de agir, para não ter do que se arrepender e reparar no futuro. Reparação muitas vezes, difícil e extremamente dolorosa. 

E as vítimas? Como ficam essas pessoas? Por que sofrem atentados e se tornam vítimas de crimes passionais, etc? Podemos acrescentar outras questões: Por que Deus permite? Por que uns se livram inesperadamente de determinados perigos, enquanto outros deles são vítimas? Por que ocorrem com uns e com outros não? Qual o critério para todas essas situações? 

Se analisarmos todas essas dúvidas sob o ponto de vista de uma única existência, não teremos saída. Ficaremos em infindáveis conjecturas que não responderão as questões. 

Na verdade, já vivemos muitas existências. Somos espíritos em aprendizado e para isso retornamos à vida na Terra por múltiplas vezes, com a finalidade de evoluir, de aprender e principalmente visando harmonizarmo-nos com possíveis antagonistas do passado. E, se hoje, que já alcançamos muito progresso material e algum progresso moral (e ainda erramos com grande intensidade), podemos imaginar que no passado – recente (que pode ser inclusive na presente existência) ou distante –, quando éramos ainda mais ignorantes sobre as questões morais, devemos ter cometido erros ainda mais graves. 

Ora, os equívocos e principalmente os erros intencionais causam conseqüências aos seus autores. Todos nós trazemos essas marcas danosas do passado, variando a intensidade e gravidade de pessoa para pessoa, e naturalmente aguardando reparação. 

Muitas vezes, portanto, o que vemos – com nossa limitada visão – como tragédias, significa apenas a prova solicitada por determinado espírito para reparar-se consigo mesmo diante de atrocidades praticadas no passado. Quanto aos autores dessas atrocidades, como comentamos no artigo anterior, não vieram como instrumentos para tais ações. Optaram por praticá-la, já que tinham a possibilidade de não serem seus autores. Se o fazem, assumem as conseqüências. E não se julgue previamente que isso cria um círculo vicioso, porque há outras também sofridas tragédias (e são inúmeras) que ocorrem independente de qualquer vontade humana, como acidentes e situações totalmente inesperadas que ceifam vidas e resgatam consciências culpadas que desejavam libertar do grande peso moral que carregavam. E como não conhecemos a história completa, não podemos julgar... 

Poderemos indagar agora se há um determinismo para tais vítimas? 

Como vimos, sobre autores intelectuais ou executantes afirmamos que todos têm real possibilidade de alterar o rumo dos acontecimentos pela liberdade de opção: fazer ou deixar de fazer. Sobre as vítimas, ficou claro que, em determinadas circunstâncias, a pessoa poderá sujeitar-se a tais acontecimentos como caminho de resgate da própria consciência, frente a insucesso e equívocos do passado – recente ou remoto. 

Podemos perguntar, todavia, se alguém que sofre uma violência brutal, com ou sem morte da vítima, estaria predestinado a sofrer tal ação. Isto não seria um outro determinismo? Ou, em outras palavras, a pessoa veio programada para sofrer tal ou tal brutalidade? Do ponto de vista dos autores, já vimos que ninguém vem predestinado a cometer o mal, pois tudo depende da sua opção e liberdade. Mas, e as vítimas? 

A conhecida citação de que “o amor cobre a multidão de pecados” (1Pedro 4:8) cabe nesse contexto. Alguém poderá realmente ter cometido muitos erros, prejudicado muita gente, feito atrocidades contra terceiros. Isto em absoluto quer dizer que ela terá que sofrer os mesmos tormentos que fez outros sentirem. Vamos a um exemplo simples. 

Uma mulher que cometeu diversos abortos. Necessariamente não terá que ser abortada em outra existência ou sofrer as agruras de um câncer intrauterino. Imaginemos que quando compreender o erro do aborto, esta mesma mulher colocar-se para cuidar de filhos alheios, seja numa creche, no atendimento a gestantes, na confecção de enxovais de filhos de mães carentes ou mesmo na direção de um orfanato. Essa dedicação, esse amor dedicado a terceiros poderá “apagar” a mancha consciencial de delitos passados. 

Alguém que sujeitou outra pessoa à violência do estupro e arrependido, desejando reparar-se perante a própria consciência, poderá redimir-se por exemplo como médico que atende gratuitamente mulheres carentes vítimas do câncer e assim em diversas outras situações. Quer dizer, sempre teremos que reparar o mal praticado, mas os caminhos são variados e “o amor sempre conseguirá cobrir a multidão de pecados”. Como o caso daquele homem que solicitou perder o braço (em virtude ato vergonhoso no passado), mas como era uma pessoa muito caridosa perdeu apenas a ponta do dedo indicador. Não há, pois, um determinismo. Sempre poderemos consertar os erros, mas somente o amor liberta a consciência.


Orson Carrara


 

Ambiente Doméstico


Frequentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes haja feito.

Se reconhecesse nelas os a quem odiara, quiçá o ódio lhe despertaria outra vez no íntimo.

De todo modo, ele sentiria humilhado em presença daquelas a quem houvesse ofendido.

Do item 11, no Cap.V, de "o Evangelho Segundo o Espiritismo" 

Na comunhão de dois seres para a organização da família, prevalece o compromisso de assistência não só de um para com o outro, mas também para com os filhos que procedem do laço afetivo.

Não possuímos ainda na Terra institutos destinados à preparação da paternidade e da maternidade responsáveis.

A evolução e o aprimoramento das ciências psicológicas de hoje, porém, garantir-nos-ão no futuro semelhante evento.

Identifiquemos no lar a escola viva da alma.

O Espírito, quando retorna ao Plano Físico, vê nos pais as primeiras imagens de Deus e da Vida.

Na tépida estrutura do ninho doméstico, germinam-lhe no ser os primeiros pensamentos e as primeiras esperanças.

Não lhe será, contudo, tão fácil seguir adiante com os ideais da meninice, de vez que, habitualmente, a equipe familiar se aglutina segundo os desastres sentimentais das existências passadas, debitando-se-lhe aos componentes os distúrbios da afeição possessiva, a se traduzirem por ternura descontrolada e ódio manifesto ou simpatia e aversão simultâneas.

Pais imaturos, do ponto de vista espiritual, comumente se infantilizam, no tempo exato do trabalho mais grave que lhes compete, no setor educativo, e, ao invés de guiarem os pequeninos com segurança para o êxito em seu novo desenvolvimento no estágio da reencarnação, embaraçam-lhes os problemas, ora tratando as crianças como se fossem adultos ou tratando os filhos adultos como se fossem crianças.

Estabelecido o desequilíbrio, irrompem os conflitos de ciúme e rebeldia, narcisismo e crueldade, que asfixiam as plantas da compreensão e da alegria na gleba caseira, transformando-a em espinheiral magnético de vibrações contraditórias, no qual os enigmas emocionais, trazidos do pretérito, adquirem feição quase insolúvel.

Decorre daí a importância dos conhecimentos alusivos à reencarnação, nas bases da família, com pleno exercício da lei do amor nos recessos do lar, para que o lar não se converta, de bendita escola que é, em pouso neurótico, albergando moléstias mentais dificilmente reversíveis.


Emmanuel,  do livro: Vida e Sexo, Médium: Francisco Cândido Xavier

 

Olímpiadas da Alma


Você sabe porque os atletas têm boa forma física?

Se você é atleta já sabe a resposta.

Sabe que para adquirir um corpo bem preparado é preciso treinar muito, fazer exercícios físicos que desenvolvam força muscular, rigidez e resistência necessárias para as competições.

Não é uma tarefa fácil. O atleta precisa fazer esforços, superar dores, sofrer arranhões, cair, levantar, tantas vezes quantas sejam necessárias para conseguir seu intento.

E no campo da alma, será que é diferente?

Para obter uma performance espiritual, moralmente bem definida, será necessário fazer esforços?

Ou será que a beleza do espírito se consegue sem esforço algum?

Quem deseja obter um visual espiritual semelhante ao de madre Tereza de Calcutá, irmã Dulce, Gandhi, entre outros, terá que fazer esforços e treinar muito.

Não conseguirá rigidez de caráter, integridade, honestidade, sabedoria, senão submetendo seu espírito a uma vontade firme de ser um vencedor.

E nessa batalha a proposta não é ser melhor do que os outros, mas ser melhor do que si mesmo a cada dia.

As vitórias a serem conquistadas são contra os próprios vícios, contra as próprias imperfeições.

Nessa olimpíada do espírito as batalhas são travadas na arena íntima. No auto-enfrentamento.

Nas olimpíadas da alma, quem deseje ser melhor do que os outros, só por esse fato já é perdedor, pois foi vencido pela prepotência.

Portanto, ninguém consegue ser um campeão moral sem os exercícios necessários.

Não se pode fugir dos arranhões, das quedas, das dores, das frustrações, da vontade de entregar os pontos.

Um grande e nobre exemplo dessa realidade foi Paulo de Tarso, o grande Apóstolo.

Na arena íntima travava as grandes batalhas do homem novo que surgia, contra o homem velho, orgulhoso e prepotente que teimava em falar mais alto.

Houve um momento em que, indignado consigo mesmo, falou: “por que o bem que quero eu não faço, e o mal que não quero ainda faço?”

Mas ele não desistiu e conseguiu vencer a si mesmo. Foi vitorioso sobre as imperfeições e o prêmio foi o passaporte para um mundo melhor.

Reconhecemos que a maioria de nós ainda está longe de ser um Paulo de Tarso, mas podemos dizer que se não somos um apóstolo, graças a Deus já somos o que somos.

Já vencemos pequenas batalhas contra alguns vícios. Já conseguimos calar diante de uma ofensa. Já perdoamos, toleramos, somos honestos em muitas coisas.

E todas essas pequenas virtudes são conquistas importantes, pois nos credenciam para enfrentar nossas imperfeições maiores.

É como acontece nos exercícios físicos. Na medida em que adquirimos mais firmeza na musculatura, os esforços podem ser mais intensos.

Assim, quando nossa “musculatura moral” estiver mais firme, mais fortalecida, outros desafios surgem. Novos exercícios se apresentam. Outras provas aparecem.

E, de vitória em vitória, vamos nos tornando cada dia melhores, moralmente falando.

Quanto mais nos melhoramos, mais Deus confia em nós. E mais seremos úteis aos planos do Criador. 

O grande bailarino russo Mikhail Bryshnikov, falou um dia: “não tento dançar melhor do que ninguém. Tento apenas dançar melhor do que eu mesmo.”

Na olimpíada da alma não há mérito algum em ser melhor do que o outro. A nobreza está em ser melhor do seu eu anterior.

O grande desafio não está em vencer o outro, mas em vencer a si mesmo.

Paulo de Tarso, após travar árduas batalhas em sua arena íntima, conseguiu a grande e definitiva vitória. A vitória sobre o homem velho, prepotente e orgulhoso.

Suas palavras confirmam isso, ao dizer: “já não sou eu quem vive, é o Cristo que vive em mim.”

Eis aí um grande herói. Um nobre vencedor. Um exemplo de humildade e determinação. Alguém que merece ser imitado.


 

Parentesco Corporal e Espiritual


                8 – Os laços de sangue não estabelecem necessariamente os laços espirituais. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porque este existia antes da formação do corpo. O pai não gera o Espírito do filho: fornece-lhe apenas o envoltório corporal. Mas deve ajudar seu desenvolvimento intelectual e moral, para o fazer progredir.

            Os Espíritos que se encarnam numa mesma família, sobretudo como parentes próximos, são os mais freqüentemente Espíritos simpáticos, ligados por relações anteriores, que se traduzem pela afeição durante a vida terrena. Mas pode ainda acontecer que esses Espíritos sejam completamente estranhos uns para os outros, separados por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem também por seu antagonismo na Terra, a fim de lhes servir de prova. Os verdadeiros laços de família não são, portanto, os da consangüinidade, mas os da simpatia e da comunhão de pensamentos, que unem os Espíritos, antes, durante e após a encarnação. Donde se segue que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Podem, pois, atrair-se, procurar-se, tornarem-se amigos, enquanto dois irmãos consangüíneos podem repelir-se, como vemos todos os dias. Problema moral, que só o Espiritismo podia resolver, pela pluralidade das existências. (Ver cap. IV, nº 13)

            Há, portanto, duas espécies de famílias: as famílias por laços espirituais e as famílias por laços corporais. As primeiras, duradouras, fortificam-se pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das diversas migrações da alma. As segundas, frágeis como a própria matéria, extinguem-se com o tempo, e quase sempre se dissolvem moralmente desde a vida atual. Foi o que Jesus quis fazer compreender, dizendo aos discípulos: “Eis minha mãe e meus irmãos”, ou seja, a minha família pelos laços espirituais, pois “quem quer que faça a vontade de meu Pai, que está nos céus, é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

            A hostilidade de seus irmãos está claramente expressa no relato de São Marcos, desde que, segundo este, eles se propunham a apoderar-se dele, sob o pretexto de que perdera o juízo. Avisado de que haviam chegado, e conhecendo o sentimento deles a seu respeito, era natural que dissesse, referindo-se aos discípulos, em sentido espiritual: “Eis os meus verdadeiros irmãos”. Sua mãe os acompanhava, e Jesus generalizou o ensino, o que absolutamente não implica que ele pretendesse que sua mãe segundo o sangue nada lhe fosse segundo o Espírito, só merecendo a sua indiferença. Sua conduta, em outras circunstâncias, provou suficientemente o contrário.


O Evangelho Segundo o Espiritismo, por ALLAN KARDEC – tradução de José Herculano Pires


 

Limpar a Mente


Os bons costumes tornam a mente límpida e clareiam o verbo, enriquecendo-o, para que os ouvintes sejam estimulados ao exercício do bem eterno. A poluição mental turva a consciência e conturba o raciocínio, deixando a alma trôpega no vaso da carne. O homem civilizado não tem o costume diário de higienizar o corpo? Pois a mente, na verdade, tem grande necessidade de limpeza, tanto quanto o corpo, por ser o centro da vida que comanda todo a massa somática.

E esse trabalho começa como a chuva: divide-se em bilhões de gotículas, mas farta a humanidade e a natureza, limpa a atmosfera e destampa as minúsculas aberturas das árvores, de onde promana o oxigênio puro, no vigor da própria existência. Assim, a chuva, para a mente, há de surgir nessas mesmas proporções: bilhões ou trilhões de pequenos esforços, somando uma torrente de energias vivas, conduzindo todo o entulho da consciência por canais apropriados. E a pureza do raciocínio faz nascer um clima enriquecido para as belezas imortais do amor, da alegria e da fraternidade. Sugestiona o ser à procura de Deus e a obedecer às leis.

A castidade mental é obra de grande importância para a nossa supremacia espiritual, sem as sutilezas da arrogância e as manobras do orgulho. Devemos nos esforçar todos os dias, a partir do momento em que nos alistamos no exército do Cristo. Como espíritos, mesmo no mundo, mas à procura da luz, compreendamos, na urgência das nossas necessidades, que renovação é tema central da alma - ovelha que reconhece o pastor, atendendo os seus magnânimos convites, pela inteligência e pelo coração.

A elegância dos pensamentos ajusta o meio ambiente em que viveis, para chamados fraternos e para uma conversação sadia, desamarrando do núcleo da vida, a expressão do amor, de modo a participar, na mesma freqüência, a razão. Para que tudo isso se faça, o esforço próprio é imprescindível, dia a dia. A auto-educação haverá de se processar passo a passo, e a vigilância deve arregimentar todas as forças possíveis nessa imensurável batalha que somente termina na pureza espiritual, para começar outros labores, em escalas que escapam ao raciocínio humano.

A vida é um turbilhão de vidas sucessivas, que se associam por lei de esforços e de obediências correlatas. No homem, o começo do sofrimento é princípio de maturidade. É, pois, a força do progresso atingindo a sua farda física, para que o corpo espiritual se atualize nas necessidades maiores. Os grandes golpes na alma clareiam seu caminho para certas mudanças na arte de viver melhor.

Escrevemos para todos, é certo. No entanto, endereçamos nossas mensagens, com mais intimidade, aos despertos, aos companheiros conscientes dos seus deveres ante a escalada do Mestre. Se começais hoje a vos renovar na vida que levais, amanhã sereis torturados impiedosamente pelas forças contrárias, donde resulta a desistência de muitos estudantes da verdade, por ignorarem que o ataque, a maledicência, a injúria, o desprezo são outras tantas forças do bem, revestidas aparentemente de inimigos. Todavia, o que Jesus disse nos conforta sobre maneira: “Aquele que perseverar até o fim, será salvo”.

Associemos nossos esforços aos regimes das leis de Deus, respeitando-as em todas as suas nuances. Se algo faltar de nossa parte, nunca haverá de ser a persistência, como onda de luz a transformar as nossa boas intenções em realidades.

Higienizemos a nossa mente, sem afrontá-la agressivamente. A experiência nos aconselha que o trabalho paciente e constante vencerá obstáculos que se nos afiguram em posição irremovível. Na verdade, a mente plasma o que os olhos vêem, como máquina fotográfica pronta para disparar tendo em mira o objetivo visado. Não obstante, poderemos fechar o diafragma. Assim sucede com os ouvidos, assim se processa na formação das idéias. Orar e vigiar é atitude certa para que a mente não se suje mais. E o trabalho de limpeza deve ser eficiente, diminuindo a carga corrosiva acumulada em muitos séculos. Um pouco de boa vontade vos colocará, com habilidade, nesse saneamento, e o conceitos que propomos nesse livro são, um tanto um quanto, companheiros da limpeza espiritual, convidando a todos para a libertação.


Miramez, do livro Horizontes da Mente, psicografiado por João Nunes Maia

 

Além da morte


O reino da vida, além da morte, não é domicílio do milagre. Passa o corpo, em trânsito para a natureza inferior que lhe atrai os componentes, entretanto, a alma continua na posição evolutiva em que se encontra. Cada inteligência apenas consegue alcançar a periferia do círculo de valores e imagens dos quais se faz o centro gerador.

Ninguém pode viver em situação que ainda não concebe. Dentro da nossa capacidade de auto projeção, erguem-se os nossos limites. Em suma, cada ser apenas atinge a vida, até onde possa chegar a onda do pensamento que lhe é próprio. A mente primitivista de um mono, transposto o limiar da morte, continua presa aos interesses da furna que lhe consolidou os hábitos instintivos.

O índio desencarnado dificilmente ultrapassa o âmbito da floresta que lhe acariciou a existência. Assim também, na vastíssima fauna social das nações, cada criatura dita civilizada, além do sepulcro, circunscreve-se ao círculo das concepções que, mentalmente, pode abranger. A residência da alma permanece situada no manancial de seus próprios pensamentos. Estamos naturalmente ligados às nossas criações.

Demoramo-nos onde supomos o centro de nossos interesses. Facilmente explicável, assim, a continuidade dos nossos hábitos e tendências, além da morte. A escravidão ou a liberdade residem no imo de nosso próprio ser. Corre a fonte, sob a emanação de vapores da sua própria corrente.

Vive a árvore rodeada pelos fluidos sutis que ela mesma exterioriza, através das folhas e das resinas que lhe pendem dos galhos e do tronco. Permanece o charco debaixo da atmosfera pestilencial que ele mesmo alimenta, e brilha o jardim, sob as vagas do perfume que produz. Assim também a Terra, com o seu corpo ciclópico, arrasta consigo, na infinita paisagem cósmica, o ambiente espiritual de seus filhos.


Emmanuel (espírito), do livro Roteiro, psicografia de Francisco C. Xavier


 

Jesus


O Mestre dos mestres, como o guia divino a plantar na atmosfera da Terra, é um astro de luz a aquecer nos corações

as sementes do amor

as sementes do perdão

a sementes da concórdia

as sementes da caridade.

O Cristo se fez estrela de primeira grandeza e a sua presença tornou o homem melhor, induzindo todas as criaturas à esperança, e essa esperança computa para nós a alegria, dadas as condições do saber que esclarece e proporciona vida rumo à vida maior.

Jesus é o nosso Guia; diante do rebanho Ele é

a Luz,

a água da vida,

o alimento de amor!

Nós ainda não sabemos quem é Jesus; a sua grandeza escapa ao raciocínio da alma. Jesus é,

em sua estrutura, a paz;

em sua intimidade, o amor;

em seus trabalhos, a fraternidade;

porque é canal de Deus

para alegria da humanidade.

Depois de Jesus, a atmosfera reacendeu-se na dimensão da luz; a própria natureza cresceu na luz da bondade, de modo a suplantar todas as suas multiplicidades.

Agradeçamos ao Senhor a presença de Jesus e a sua estada na Terra, porque depois d’Ele ficamos conhecendo

a alegria pura,

a fé construtiva,

o amor que cria

e a paz de consciência.

Glória a Jesus em todos os planos que conhecemos, porque Ele, em Deus, alimenta a vida de todos nós nEle.


Scheilla

 
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