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Fala Amparando


Quando estiveres a ponto de condenar alguém, lembra-te de ti mesmo.
Quantas vezes terás ferido, quando te propunhas auxiliar? 

Muitos daqueles que povoam as penitenciárias, dariam a própria vida para que o tempo recuasse, propiciando-lhes ensejo de se fazerem vítimas ao invés de verdugos... 

Prefeririam cegueira e mudez no instante de vazarem a acusação ou extrema paralisia na hora da violência. 

E qual acontece aos irmãos segregados no cárcere, quantas criaturas carregam enfermidade e frustração nas grades mentais do arrependimento tardio? 

Trajam-se em figurino recente e conservam a bolsa farta, mas, por dentro trazem desencanto e remorso por fogo e cinza no coração. 

Supõem-se livres, no entanto, jazem presas, intimamente, na cela da angústia em que enjaularam a própria alma, por não haverem calado a frase cruel no momento oportuno... 

Poderiam ter evitado o desastre moral que lhes dói na lembrança, contudo, por se acomodarem à impaciência, atearam o incêndio que resultou em loucura e destruição. 

Não sirvas vinagre a fel à mesa da própria vida. 

Onde surpreendas perturbação e sombra estende o socorro da paz e o benefício da luz. 

Compadece-te dos ingratos e desertores, quanto te condóis dos que passam sob teus olhos, mutilados e infelizes. 

Ninguém praticaria o mal se, antes, lhe conhecesse o fruto amargoso. 

Compreendamos para que sejamos compreendidos. 

Agora, talvez, poderás censurar os erros dos semelhantes. 

Amanhã, porém, mendigarás o perdão dos outros pelos teus desatinos. 

Entrega a aflição de cada dia ao silêncio de cada noite. 

Lembra-te de que, por maiores tenham sido os desregramentos da Humanidade na Terra, o Céu nunca fez coleções de nuvens para amaldiçoar ou punir, mas sim, cada manhã, acende o brilho solar por mensagem bendita de tolerância e de amor, endereçando aos homens a esperança infatigável de Deus.


Meimei,  Médium: Francisco Cândido Xavier

 

Porque o Espiritismo é a Terceira Revelação?


Por que o espiritismo se apresenta com Terceira Revelação, se sabemos que houve muito mais do que três revelações no mundo? Kardec não sabia disso?” 

“Kardec sabia. Sabia perfeitamente. Mas acontece o seguinte. As numerosas revelações que houve no mundo, desde a época primitiva, revelações entre os povos primitivos, podemos classificar como as revelações entre os homens da caverna, porque sabemos que os mesmos, como crianças que se iniciavam na vida, tiveram os seus preceptores, aqueles Espíritos superiores que cuidaram deles e os orientaram. 

Todas essas revelações têm um sentido preparatório, no tocante a uma revelação de importância fundamental para o desenvolvimento da civilização, que foi a revelação Mosaica, que, como sabemos, deu origem à Bíblia. A Bíblia dos judeus, que é também a Bíblia dos cristãos. Porque o Cristianismo é uma reforma do judaísmo, feita por Jesus, que era judeu. Essa revelação é de importância fundamental, porque estabelecia uma modificação muito profunda nos conceitos sobre Deus e o homem, sobre a vida na Terra e o destino do próprio homem. 

Deus Faz a História 

A respeito de Deus, podemos acentuar um ponto capital, que é o seguinte; enquanto as revelações, ocorridas nas diversas partes do mundo, nos davam uma idéia de Deus como distanciado do homem, alguém que houvesse, por assim dizer, criado o mundo e depois pouco se tivesse importado com ele, a revelação judaica nos mostra um Deus providencial. É aquilo que estudam os filósofos e se cama providencialismo. 

O providencialismo judeu modificou por completo o conceito de Deus. Deus não está ausente do mundo; Deus está presente; Deus faz a História. Ora, Deus, em fazendo a História, a sua participação no mundo dos homens é permanente, é constante. Esta primeira modificação é de uma importância decisiva. É para o homem uma concepção de Deus mais consentânea com a realidade daquilo que nós chamamos, hoje, a estrutura unitária do Universo. 

Além disso, a revelação Mosaica nos deu uma idéia de que Deus havia criado o mundo, não se servindo de material já existente, mas produzindo, Ele mesmo, os materiais necessários. É o dogma bíblico da criação, a partir do nada. Deus não criou o mundo do nada. O nada parece não ter condições para dar elemento algum a Deus, para que Ele pudesse criar o mundo. O nada bíblico, como nós o entendemos, na sua significação mais profunda, é como o Nirvana, de Buda, que parece ser o nada, a negação de tudo o que existe. Um nada apenas simbólico; um nada relativo; um nada em relação ao tudo o que consideramos na Terra.


Herculano Pires

 

Mais Adiante


A sabedoria divina estabeleceu leis que impulsionam a vida naturalmente para a harmonia.

Hoje, talvez, haja sombra.

Amanhã, porém, a luz voltará.

Agora, é possível que a tempestade ocorra.

Depois, porém, a bonança retornará.

Por hora, é provável que a dor te visite; mais além, todavia, a paz te sustentará.

Neste momento, é possível que a enfermidade te faça companhia.

Logo mais, porém, o equilíbrio retornará.

Lembra-te de que és um espírito imortal, e que a saúde é o teu estado natural.

Tudo mais que se apresente com ameaças perturbadoras terá caráter transitório, porque é da lei de Deus que todas as criaturas libertem-se do ego e cresçam para a consciência cósmica, plenas de paz.


Scheilla


Sobre o Autor

Scheilla, encarnou na Alemanha. Com a guerra no continente Europeu, aflições e angústias assolaram a cidade de Berlim, na Alemanha, onde Scheilla atuava como enfermeira e trabalhava com seu pai Dr. Adolfo Fritz. Seu estilo simples, sua meiguice espontânea, muito ajudavam em sua profissão. Bonita, tez clara, cabelo muito louro, que lhe davam um ar de graça muito suave. Seus olhos, azuis-esverdeados, de um brilho intenso, refletiam a grandeza de seu Espírito. Estatura mediana, sempre com seu avental branco, lá estava Scheilla, preocupada em ajudar, indistintamente. Esquecia-se de si mesma, pensava somente na sua responsabilidade. Via primeiro a dor, depois a criatura... Numa tarde de pleno combate, desencarna Scheilla, a jovem enfermeira. Morria no campo de lutas, aos 28 anos de idade. Muitos anos depois, surgia nas esferas superiores da espiritualidade, com o seu mesmo estilo, aprimorado carinho e dedicação, Scheilla, a Enfermeira do Alto!

Tem-se notícias apenas de duas encarnações de Scheilla: uma na França, no século XVI, e outra na Alemanha. Na existência francesa, chamou-se Joana Francisca Frémiot, nascida em Dijon a 28/01/1572 e desencarnada em Moulins a 13/12/1641. Ficou conhecida como Santa Joana de Chantal (canonizada em 1767) ou Baronesa de Chantal. Casará-se, aos 20 anos, com o barão de Chantal. Tendo muito cedo perdido seu marido, passou a dedicar-se à obras piedosas e orações, juntamente com os deveres de mãe para com seus 4 filhos. Fundou, em 1604, juntamente com o bispo de Genebra, S. Francisco de Salles, em Annecy, a congregação da Visitação de Maria, que dirigiu como superiora, em Paris. Em 1619, Santa Joana de Chantal deixou o cargo de superiora da Ordem de Visitação e voltou a Annecy, onde ficava a casa-mãe da Ordem. A 13 de dezembro de 1641 ela veio a falecer. A outra encarnação conhecida de Scheilla, verificou-se na Alemanha. 

 

O real mundo invisível



O vácuo absoluto existe em alguma parte no Espaço universal? Não, não há o vácuo. O que te parece vazio está ocupado por matéria que te escapa aos sentidos e aos instrumentos. (Allan Kardec. O livro dos espíritos, q. 36)

Adeptos há da Doutrina Espírita que rejeitam, até hoje, a versão ultimamente muito ventilada pelos Espíritos desencarnados, por meio de obras ditadas psicograficamente, de um mundo material, invisível aos olhos carnais, mundo esse vibrátil e intenso, no qual existirá, em estado aperfeiçoado, ampliado até a vertigem, muito do que na Terra existe.

Respeitamos, certamente, a opinião dos refratários a essa revelação, visto que, se é dever de qualquer cidadão respeitar opiniões alheias, ao espírita, com muito maior razão, assistirá o dever de consideração à opinião do próximo, ainda quando antagônica ao seu modo de ver e pensar.

Não seria, porém, ocioso raciocinarmos sobre ensinamentos particulares aos domínios da Doutrina Espírita, raciocínios que, se nenhum proveito trouxerem à instrução que nos cumpre dilatar diariamente, ao menos nos auxiliarão no aprendizado da meditação, exercitando-nos o pensamento para voos mais arrojados.

Estas páginas, como as demais que compõem o presente volume, não são frutos do nosso raciocínio pessoal, como o não são de nossas concepções doutrinárias, visto que temos o cuidado de jamais estabelecer concepções pessoais em assuntos de Espiritismo.

Certos da nossa fragilidade, renunciamos bem cedo à vaidade das opiniões próprias, para nos achegarmos aos mestres e grandes vultos da Doutrina e junto deles buscar o ensinamento seguro, aceitando igualmente o que o Invisível espontaneamente nos revela, quando concorde com os ensinamentos básicos, revelações que, algumas vezes, têm contrariado mesmo as ideias que havíamos feito sobre mais de um assunto.

Temos sido, portanto, tão somente um veículo transmissor das ideias e do noticiário do Espaço, e, mercê de Deus, empenhamo-nos esforçadamente em ser passiva aos dedicados amigos invisíveis, ao se valerem da nossa faculdade.

E, por isso mesmo, o que aqui se afigura escrito por nossa pena mais não será do que o murmúrio das vozes de amigos espirituais que nos dirigem o cérebro e impulsionam o lápis, depois de haverem arrebatado o nosso Espírito a giros instrutivos pelo mundo invisível, as mais das vezes.

Desde o advento da Doutrina Espírita, os nobres habitantes do mundo espiritual que se têm comunicado com os homens, por intermédio de grande variedade de médiuns, afirmam ser a Terra um pálido reflexo do Espaço.

O livro dos médiuns, de Allan Kardec, Segunda Parte, no belo capítulo VIII – “Do laboratório do mundo invisível” – é fecundo em explicações que oferecem base para estudos e conclusões muito profundas quanto à vertiginosa intensidade do plano invisível, a possibilidade de realizações, ali, por assim dizer, “materiais”, que as entidades desencarnadas sempre afirmaram e que nos últimos tempos vêm confirmando com insistência e pormenores dignos de atenção.

E no precioso compêndio A gênese, também de Allan Kardec, lemos o seguinte, no capítulo XIV, subtítulo “Ação dos Espíritos sobre os fluidos. Criações fluídicas. Fotografias do pensamento”:

13. Os fluidos espirituais, que constituem um dos estados do fluido cósmico universal, são, a bem dizer, a atmosfera dos seres espirituais; o elemento donde eles tiram os materiais sobre que operam; o meio onde ocorrem os fenômenos especiais, perceptíveis à visão e à audição do Espírito, mas que escapam aos sentidos carnais, impressionáveis somente à matéria tangível; o meio onde se forma a luz peculiar ao mundo espiritual, diferente, pela causa e pelos efeitos, da luz ordinária; finalmente, o veículo do pensamento, como o ar o é do som.

14. Os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, não os manipulando como os homens manipulam os gases, mas empregando o pensamento e a vontade. Para os Espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinada; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases ou de outros corpos combinando-os segundo certas leis. É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual

E, no item 3, desse mesmo capítulo, encontraremos:

3. No estado de eterização, o fluido cósmico não é uniforme; sem deixar de ser etéreo, sofre modificações tão variadas em gênero e mais numerosas talvez do que no estado de matéria tangível. Essas modificações constituem fluidos distintos que, embora procedentes do mesmo princípio, são dotados de propriedades especiais e dão lugar aos fenômenos peculiares ao mundo invisível.

Dentro da relatividade de tudo, esses fluidos têm para os Espíritos, que também são fluídicos, uma aparência tão material, quanto a dos objetos tangíveis para os encarnados e são, para eles, o que são para nós as substâncias do mundo terrestre. Eles os elaboram e combinam para produzirem determinados efeitos, como fazem os homens com os seus materiais, ainda que por processos diferentes.

Os próprios Espíritos ditos sofredores, até mesmo os criminosos, que se costumam apresentar em bem dirigidas sessões práticas, narram acontecimentos reais, positivos, que no Invisível se sucedem, um modo de viver e de agir, no Espaço, muito distanciado daquele estado vago, indefinível, inexpressivo, que muitos entendem seja o único verdadeiro, quando a Revelação propala, desde o início, um mundo de vida intensa, mundo real e de realidades, onde o trabalho se desdobra ao infinito e as realizações não conhecem ocasos.

Nas entrelinhas de grandes e conceituadas obras doutrinárias, existem claras alusões a sociedades, ou “colônias”, organizadas no além-túmulo, onde avultam cidades, casas, palácios, jardins etc., etc. Na erudita e encantadora obra “Depois da morte”, do eminente colaborador de Allan Kardec, Léon Denis, o qual, como sabemos, além de primoroso escritor, foi um grande inspirado pelos Espíritos de escol, no capítulo XXXV, a exposição dessa tese não somente é fecunda e expressiva, como também mesclada de grande beleza, como tudo o que passou por aquele cérebro e aquela pena.

Diz Léon Denis: O Espírito, pelo poder de sua vontade, opera sobre os fluidos do espaço, os combina, dispondo-os a seu gosto, dá-lhes as cores e as formas que convêm ao seu fim. É por meio desses fluidos que se executam obras que desafiam toda comparação e toda análise.

Construções aéreas, de cores brilhantes, de zimbórios resplendentes: sítios imensos onde se reúnem em conselho os delegados do Universo; templos de vastas proporções de onde se elevam acordes de uma harmonia divina; quadros variados, luminosos: reproduções de vidas humanas, vidas de fé e de sacrifício, apostolados dolorosos, dramas do infinito. Como descrever magnificências que os próprios Espíritos se declaram impotentes para exprimir no vocabulário humano?

É nessas moradas fluídicas que se ostentam as pompas das festas espirituais. Os Espíritos puros, ofuscantes de luz, agrupam-se em famílias. Seu brilho e as cores variadas de seus invólucros permitem medir a sua elevação, determinar-lhes os atributos.


Charles, do livro: Devassando o Invisível, psicografado por Yvonne A. Pereira.


 

Esportes do Espírito


Pezado amigo(a).

Em resposta à sua indagação sobre os esportes e a Vida Espiritual serei breve com alguns apontamentos.

As atividades esportivas, no campo do Espírito, podem começar para qualquer um, na próxima existência terrestre.

Exemplos:

Aí mesmo na Terra, ser-nos-á possível praticar a ginástica dos pensamentos nobres contra as tentações de ordem inferior, utilizando a barra do silêncio.

A corrida até os lares infelizes, disputando-se os primeiros lugares no auxílio aos irmãos em penúria.

O salto sobre as ofensas, com o esquecimento do mal.

A natação no suor do trabalho.

O xadrez da reflexão, a fim de que se aprenda a raciocinar para o concurso da solução dos problemas domésticos.

A disciplina sistemática para abstenção dos alcoólicos e similares.

A contribuição possível, ajustada com segurança ao cesto da beneficência.

O treinamento da respiração que nos obrigue à calma, de modo a que se evite o agravo de discussões e antagonismos, onde estejamos.

O alpinismo do sacrifício para a conquista dos cimos da elevação.

Os remos do serviço que nos reequilibrem as próprias forças.

As excursões pacíficas que nos ensinem o endereço dos que sofrem, a fim de reconfortá-los.

A limpeza da própria moradia com as melhores notas de higiene.

Qual você poderá observar, aí estão algumas regras para a iniciação.

E não podemos esquecer o nosso futebol das boas ações. Cada prestação de serviço ao próximo é um destaque a mais para o time a que você pertence.

Nessa base, temos diariamente as melhores oportunidades de exercício e competição.

É muito fácil reconhecer a nossa posição nos escores de qualquer um dos esportes do Espírito.

Se o assunto realmente nos interessa, todos os dias, ser-nos-á possível observar quem serve mais.

Augusto Cezar

Sobre o Autor:
Espírito com diversas mensagens publicadas na vasta obra de Chico Xavier, apresenta lingüagem bastante singular direcionada ao público jovem.



 

Agressores e Vítimas



Diante de crimes hediondos, suicídios, tragédias provocadas (como atentados e seqüestros dramáticos), a perplexidade domina os círculos da sociedade humana.

Seria o caso de perguntar: os autores intelectuais ou executantes de tais atrocidades nasceram com tal “missão”, ou sejam, vieram programados para serem instrumentos da maldade, da inconsequência? O que o Espiritismo tem a dizer? 

Não! Absolutamente não! Todos os que habitamos o planeta estamos destinados ao progresso, ao bem geral, à harmonia na convivência, convidados à solidariedade. Nunca poderemos dizer que tudo que acontece na vida de qualquer pessoa “já estava escrito antes”, pois esta afirmação contraria o bom senso, a lógica, e mesmo a autêntica e real possibilidade que sempre temos de alterar o rumo dos fatos. 

Conforme explica O Livro dos Espíritos nas questões 851 a 867 (que recomendamos ao leitor para aprofundar o assunto), de “fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só instante da morte o é mesmo”, sintetizando as respostas às questões citadas. 

Ocorre que no planejamento de uma nova existência, o então futuro reencarnante escolhe o gênero de provas que deseja passar (visando seu próprio aprendizado) e pelo fato dessa escolha se expõe a determinadas situações de risco que podem colocá-lo diante da perspectiva de praticar um crime, um delito, uma tragédia. Porém, e aí está o “x” da questão: qualquer pessoa sempre tem a liberdade de agir ou não. Sempre pode optar por fazer ou deixar de fazer. 

Desta liberdade de ação, característica do livre-arbítrio, decorrem conseqüências pelas quais todos responderemos, criminal ou moralmente – no caso de danos causados a terceiros ou à sociedade em geral –, ou colheremos os frutos do mérito no caso das boas ações. E as conseqüências danosas no campo moral, nem sempre conhecidas ou reparadas pela justiça humana, repercutem nesta mesma ou em futuras existências nas limitações e dificuldades que uma única existência jamais conseguirá explicar. 

Por isso é melhor agir no bem. Pensar bem antes de agir, para não ter do que se arrepender e reparar no futuro. Reparação muitas vezes, difícil e extremamente dolorosa. 

E as vítimas? Como ficam essas pessoas? Por que sofrem atentados e se tornam vítimas de crimes passionais, etc? Podemos acrescentar outras questões: Por que Deus permite? Por que uns se livram inesperadamente de determinados perigos, enquanto outros deles são vítimas? Por que ocorrem com uns e com outros não? Qual o critério para todas essas situações? 

Se analisarmos todas essas dúvidas sob o ponto de vista de uma única existência, não teremos saída. Ficaremos em infindáveis conjecturas que não responderão as questões. 

Na verdade, já vivemos muitas existências. Somos espíritos em aprendizado e para isso retornamos à vida na Terra por múltiplas vezes, com a finalidade de evoluir, de aprender e principalmente visando harmonizarmo-nos com possíveis antagonistas do passado. E, se hoje, que já alcançamos muito progresso material e algum progresso moral (e ainda erramos com grande intensidade), podemos imaginar que no passado – recente (que pode ser inclusive na presente existência) ou distante –, quando éramos ainda mais ignorantes sobre as questões morais, devemos ter cometido erros ainda mais graves. 

Ora, os equívocos e principalmente os erros intencionais causam conseqüências aos seus autores. Todos nós trazemos essas marcas danosas do passado, variando a intensidade e gravidade de pessoa para pessoa, e naturalmente aguardando reparação. 

Muitas vezes, portanto, o que vemos – com nossa limitada visão – como tragédias, significa apenas a prova solicitada por determinado espírito para reparar-se consigo mesmo diante de atrocidades praticadas no passado. Quanto aos autores dessas atrocidades, como comentamos no artigo anterior, não vieram como instrumentos para tais ações. Optaram por praticá-la, já que tinham a possibilidade de não serem seus autores. Se o fazem, assumem as conseqüências. E não se julgue previamente que isso cria um círculo vicioso, porque há outras também sofridas tragédias (e são inúmeras) que ocorrem independente de qualquer vontade humana, como acidentes e situações totalmente inesperadas que ceifam vidas e resgatam consciências culpadas que desejavam libertar do grande peso moral que carregavam. E como não conhecemos a história completa, não podemos julgar... 

Poderemos indagar agora se há um determinismo para tais vítimas? 

Como vimos, sobre autores intelectuais ou executantes afirmamos que todos têm real possibilidade de alterar o rumo dos acontecimentos pela liberdade de opção: fazer ou deixar de fazer. Sobre as vítimas, ficou claro que, em determinadas circunstâncias, a pessoa poderá sujeitar-se a tais acontecimentos como caminho de resgate da própria consciência, frente a insucesso e equívocos do passado – recente ou remoto. 

Podemos perguntar, todavia, se alguém que sofre uma violência brutal, com ou sem morte da vítima, estaria predestinado a sofrer tal ação. Isto não seria um outro determinismo? Ou, em outras palavras, a pessoa veio programada para sofrer tal ou tal brutalidade? Do ponto de vista dos autores, já vimos que ninguém vem predestinado a cometer o mal, pois tudo depende da sua opção e liberdade. Mas, e as vítimas? 

A conhecida citação de que “o amor cobre a multidão de pecados” (1Pedro 4:8) cabe nesse contexto. Alguém poderá realmente ter cometido muitos erros, prejudicado muita gente, feito atrocidades contra terceiros. Isto em absoluto quer dizer que ela terá que sofrer os mesmos tormentos que fez outros sentirem. Vamos a um exemplo simples. 

Uma mulher que cometeu diversos abortos. Necessariamente não terá que ser abortada em outra existência ou sofrer as agruras de um câncer intrauterino. Imaginemos que quando compreender o erro do aborto, esta mesma mulher colocar-se para cuidar de filhos alheios, seja numa creche, no atendimento a gestantes, na confecção de enxovais de filhos de mães carentes ou mesmo na direção de um orfanato. Essa dedicação, esse amor dedicado a terceiros poderá “apagar” a mancha consciencial de delitos passados. 

Alguém que sujeitou outra pessoa à violência do estupro e arrependido, desejando reparar-se perante a própria consciência, poderá redimir-se por exemplo como médico que atende gratuitamente mulheres carentes vítimas do câncer e assim em diversas outras situações. Quer dizer, sempre teremos que reparar o mal praticado, mas os caminhos são variados e “o amor sempre conseguirá cobrir a multidão de pecados”. Como o caso daquele homem que solicitou perder o braço (em virtude ato vergonhoso no passado), mas como era uma pessoa muito caridosa perdeu apenas a ponta do dedo indicador. Não há, pois, um determinismo. Sempre poderemos consertar os erros, mas somente o amor liberta a consciência.


Orson Carrara


 

Ambiente Doméstico


Frequentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes haja feito.

Se reconhecesse nelas os a quem odiara, quiçá o ódio lhe despertaria outra vez no íntimo.

De todo modo, ele sentiria humilhado em presença daquelas a quem houvesse ofendido.

Do item 11, no Cap.V, de "o Evangelho Segundo o Espiritismo" 

Na comunhão de dois seres para a organização da família, prevalece o compromisso de assistência não só de um para com o outro, mas também para com os filhos que procedem do laço afetivo.

Não possuímos ainda na Terra institutos destinados à preparação da paternidade e da maternidade responsáveis.

A evolução e o aprimoramento das ciências psicológicas de hoje, porém, garantir-nos-ão no futuro semelhante evento.

Identifiquemos no lar a escola viva da alma.

O Espírito, quando retorna ao Plano Físico, vê nos pais as primeiras imagens de Deus e da Vida.

Na tépida estrutura do ninho doméstico, germinam-lhe no ser os primeiros pensamentos e as primeiras esperanças.

Não lhe será, contudo, tão fácil seguir adiante com os ideais da meninice, de vez que, habitualmente, a equipe familiar se aglutina segundo os desastres sentimentais das existências passadas, debitando-se-lhe aos componentes os distúrbios da afeição possessiva, a se traduzirem por ternura descontrolada e ódio manifesto ou simpatia e aversão simultâneas.

Pais imaturos, do ponto de vista espiritual, comumente se infantilizam, no tempo exato do trabalho mais grave que lhes compete, no setor educativo, e, ao invés de guiarem os pequeninos com segurança para o êxito em seu novo desenvolvimento no estágio da reencarnação, embaraçam-lhes os problemas, ora tratando as crianças como se fossem adultos ou tratando os filhos adultos como se fossem crianças.

Estabelecido o desequilíbrio, irrompem os conflitos de ciúme e rebeldia, narcisismo e crueldade, que asfixiam as plantas da compreensão e da alegria na gleba caseira, transformando-a em espinheiral magnético de vibrações contraditórias, no qual os enigmas emocionais, trazidos do pretérito, adquirem feição quase insolúvel.

Decorre daí a importância dos conhecimentos alusivos à reencarnação, nas bases da família, com pleno exercício da lei do amor nos recessos do lar, para que o lar não se converta, de bendita escola que é, em pouso neurótico, albergando moléstias mentais dificilmente reversíveis.


Emmanuel,  do livro: Vida e Sexo, Médium: Francisco Cândido Xavier

 

Olímpiadas da Alma


Você sabe porque os atletas têm boa forma física?

Se você é atleta já sabe a resposta.

Sabe que para adquirir um corpo bem preparado é preciso treinar muito, fazer exercícios físicos que desenvolvam força muscular, rigidez e resistência necessárias para as competições.

Não é uma tarefa fácil. O atleta precisa fazer esforços, superar dores, sofrer arranhões, cair, levantar, tantas vezes quantas sejam necessárias para conseguir seu intento.

E no campo da alma, será que é diferente?

Para obter uma performance espiritual, moralmente bem definida, será necessário fazer esforços?

Ou será que a beleza do espírito se consegue sem esforço algum?

Quem deseja obter um visual espiritual semelhante ao de madre Tereza de Calcutá, irmã Dulce, Gandhi, entre outros, terá que fazer esforços e treinar muito.

Não conseguirá rigidez de caráter, integridade, honestidade, sabedoria, senão submetendo seu espírito a uma vontade firme de ser um vencedor.

E nessa batalha a proposta não é ser melhor do que os outros, mas ser melhor do que si mesmo a cada dia.

As vitórias a serem conquistadas são contra os próprios vícios, contra as próprias imperfeições.

Nessa olimpíada do espírito as batalhas são travadas na arena íntima. No auto-enfrentamento.

Nas olimpíadas da alma, quem deseje ser melhor do que os outros, só por esse fato já é perdedor, pois foi vencido pela prepotência.

Portanto, ninguém consegue ser um campeão moral sem os exercícios necessários.

Não se pode fugir dos arranhões, das quedas, das dores, das frustrações, da vontade de entregar os pontos.

Um grande e nobre exemplo dessa realidade foi Paulo de Tarso, o grande Apóstolo.

Na arena íntima travava as grandes batalhas do homem novo que surgia, contra o homem velho, orgulhoso e prepotente que teimava em falar mais alto.

Houve um momento em que, indignado consigo mesmo, falou: “por que o bem que quero eu não faço, e o mal que não quero ainda faço?”

Mas ele não desistiu e conseguiu vencer a si mesmo. Foi vitorioso sobre as imperfeições e o prêmio foi o passaporte para um mundo melhor.

Reconhecemos que a maioria de nós ainda está longe de ser um Paulo de Tarso, mas podemos dizer que se não somos um apóstolo, graças a Deus já somos o que somos.

Já vencemos pequenas batalhas contra alguns vícios. Já conseguimos calar diante de uma ofensa. Já perdoamos, toleramos, somos honestos em muitas coisas.

E todas essas pequenas virtudes são conquistas importantes, pois nos credenciam para enfrentar nossas imperfeições maiores.

É como acontece nos exercícios físicos. Na medida em que adquirimos mais firmeza na musculatura, os esforços podem ser mais intensos.

Assim, quando nossa “musculatura moral” estiver mais firme, mais fortalecida, outros desafios surgem. Novos exercícios se apresentam. Outras provas aparecem.

E, de vitória em vitória, vamos nos tornando cada dia melhores, moralmente falando.

Quanto mais nos melhoramos, mais Deus confia em nós. E mais seremos úteis aos planos do Criador. 

O grande bailarino russo Mikhail Bryshnikov, falou um dia: “não tento dançar melhor do que ninguém. Tento apenas dançar melhor do que eu mesmo.”

Na olimpíada da alma não há mérito algum em ser melhor do que o outro. A nobreza está em ser melhor do seu eu anterior.

O grande desafio não está em vencer o outro, mas em vencer a si mesmo.

Paulo de Tarso, após travar árduas batalhas em sua arena íntima, conseguiu a grande e definitiva vitória. A vitória sobre o homem velho, prepotente e orgulhoso.

Suas palavras confirmam isso, ao dizer: “já não sou eu quem vive, é o Cristo que vive em mim.”

Eis aí um grande herói. Um nobre vencedor. Um exemplo de humildade e determinação. Alguém que merece ser imitado.


 
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