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O Evangelho

Política

"E quem governa seja como quem serve" - Jesus- Lucas, 22:26.

O Evangelho apresenta, igualmente, a mais elevada fórmula de vida político-administrativa aos povos da Terra.

Quem afirma que semelhantes serviços não se compadecem com os labores do Mestre não penetrou ainda toda a verdade de suas Lições Divinas.

A magna questão é encontrar o elemento humano disposto à execução do sublime princípio.

Os ideais democráticos do mundo não derivam senão do próprio ensinamento do Salvador.

Poderá encontrar algum sociólogo do planeta, plataforma superior além da gloriosa tese'>síntese que reclama o governante as legítimas qualidades do servidor fiel?

As revoluções, que custaram tanto sangue, não foram senão uma ânsia de obtenção da fórmula sagrada na realidade política das nações.

Nem, por isso, entretanto, deixaram de ser movimentos criminosos e desleais, como infiéis e perversos têm sido os falsos políticos na atuação do governo comum.

O ensinamento de Jesus, nesse particular, ainda está acima da compreensão vulgar das criaturas.

Quase todos os homens se atiram à conquista dos postos de autoridade e evidência, mas geralmente se encontram excessivamente interessados com as suas próprias vantagens no imediatismo do mundo.

Ignoram que o Cristo aí conta com eles, não como quem governa tirânica ou arbitrariamente, mas como quem serve com alegria, não como quem administra a golpes de força, mas como quem obedece ao Esquema Divino, junto dos seres e cousas da vida.

Jesus é o Supremo Governador da Terra e, ao mesmo tempo, o Supremo Servidor das criaturas humanas.


Emmanuel, Médium: Francisco Cândido Xavier

 

O Espírito da Verdade



Advento do Espírito da Verdade

ESPÍRITO DE VERDADE, Paris, 1860

                                                        

5 – Venho, como outrora, entre os filhos desgarrados de Israel, trazer a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como outrora a minha palavra, deve lembrar os incrédulos que acima deles reina a verdade imutável: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinar as plantas e que levanta as ondas. Eu revelei a doutrina divina; e, como um segador, liguei em feixes o bem esparso pela humanidade, e disse: “Vinde a mim, todos vós que sofreis!”

Mas os homens ingratos se desviaram da estrada larga e reta que conduz ao Reino de meu Pai, perdendo-se nas ásperas veredas da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana. Ele quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, ou seja, mortos segundo a carne, porque a morte não existe, sejais socorridos, e que não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a voz dos que se foram, faça-se ouvir para vos gritar: Crede e orai! Porque a morte é a ressurreição, e a vida é a prova escolhida, durante a qual vossas virtudes cultivadas devem crescer e desenvolver-se como o cedro.

Homens fracos, que vos limitais às trevas de vossa inteligência, não afasteis a tocha que a clemência divina vos coloca nas mãos, para iluminar vossa rota e vos reconduzir, crianças perdidas, ao regaço de vosso Pai.

Estou demasiado tocado de compaixão pelas vossas misérias, por vossa imensa fraqueza, para não estender a mão em socorro aos infelizes extraviados que, vendo o céu, caem nos abismos do erro. Crede, amai, meditai todas as coisas que vos são reveladas; não misturem o joio ao bom grão, as utopias com as verdades.

Espíritas; amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo; os erros que nele se enraizaram são de origem humana; e eis que, de além túmulo, que acreditáveis vazios, vozes vos clamam: Irmãos! Nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal; sede os vencedores da impiedade!

*

ESPÍRITO DE VERDADE 

Paris, 1861

            6 – Venho ensinar e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem sua resignação ao nível de suas provas; que chorem, porque a dor no Jardim das Oliveiras, mas que esperem, porque os anjos consoladores virão enxugar as suas lágrimas.

            Trabalhadores, traçai o vosso sulco. Recomeçai no dia seguinte a rude jornada da véspera. O trabalho de vossas mãos fornece o pão terreno aos vossos corpos, mas vossas almas não estão esquecidas: eu, o divino jardineiro, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos. Quando soar a hora do repouso, quando a trama escapar de vossas mãos, e vossos olhos se fecharem para a luz, sentireis surgir e germinar em vós a minha preciosa semente. Nada se perde no Reino de nosso Pai. Vossos suores e vossas misérias formam um tesouro, que vos tornará ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas, e onde o mais desnudo entre vós será talvez o mais resplandecente.

            Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são os meus bem-amados. Instrui-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos ensina o objetivo sublime da prova humana. Como o vento varre a poeira, que o sopro dos Espíritos dissipe a vossa inveja dos ricos do mundo, que são freqüentemente os mais miseráveis, porque suas provas são mais perigosas que as vossas. Estou convosco, e meu apóstolo vos ensina. Bebei na fonte viva do amor, e preparai-vos, cativos da vida, para vos lançardes um dia, livres e alegres, no seio daquele que vos criou fracos para vos tornar perfeitos, e deseja que modeleis vós mesmos a vossa dócil argila, para serdes os artífices da vossa imortalidade.                      

 *

ESPÍRITO DE VERDADE

Bordeaux, 1861

            7 – Eu sou o grande médico das almas, e venho trazer-vos o remédio que vos deve curar. Os débeis, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos, e venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, todos vós que sofreis e que estais carregados, e sereis aliviados e consolados. Não procureis alhures a força e a consolação, porque o mundo é impotente para dá-las. Deus dirige aos vossos corações um apelo supremo através do Espiritismo: escutai-o. Que a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade, sejam extirpados de vossas almas doloridas. São esses os monstros que sugam o mais puro do vosso sangue, e vos produzem chagas quase sempre mortais. Que no futuro, humildes e submissos ao Criador, pratiqueis sua divina lei. Amai e orai. Sede dócil aos Espíritos do Senhor. Invocai-o do fundo do coração. Então, Ele vos enviará o seu Filho bem-amado, para vos instruir e vos dizer estas boas palavras: “Eis-me aqui; venho a vós, porque me chamastes!

*

ESPÍRITO DE VERDADE

Havre, 1863

            8 – Deus consola os humildes e dá força aos aflitos que a suplicam. Seu poder cobre a Terra, e por toda parte, ao lado de cada lágrima, põe o bálsamo que consola. O devotamento e a abnegação são uma prece contínua e encerram profundo ensinamento: a sabedoria humana reside nessas duas palavras. Possam todos os Espíritos sofredores compreender estas verdades, em vez de reclamar contra as dores, os sofrimentos mortais, que são aqui na Terra o vosso quinhão. Tomai, pois, por divisa, essas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõe. O sentimento do dever cumprido vos dará a tranqüilidade de espírito e a resignação. O coração bate melhor, a alma se acalma, e o corpo já não sente desfalecimentos, porque o corpo sofre tanto mais, quanto mais profundamente abalado estiver o espírito.


O Evangelho Segundo o Espiritismo
por ALLAN KARDEC – tradução de José Herculano Pires


 

Alguém para Amar

Senhor, quando eu tiver fome, dai-me alguém que necessite de comida.

Quando tiver sede, dai-me alguém que precise de água.

Quando sentir frio, dai-me alguém que necessite de calor.

Quando tiver um aborrecimento, dai-me alguém que necessite de consolo.

Quando minha cruz parecer pesada, deixe-me compartilhar a cruz do outro.

Quando me achar pobre, ponde a meu lado alguém necessitado.

Quando não tiver tempo, dai-me alguém que precise de alguns dos meus minutos.

Quando sofrer humilhação, dai-me ocasião para elogiar alguém.

Quando estiver desanimada, dai-me alguém para lhe dar novo ânimo.

Quando sentir necessidade da compreensão dos outros, dai-me alguém que necessite da minha.

Quando sentir necessidade de que cuidem de mim, dai-me alguém que eu tenha de atender.

Quando pensar em mim mesma, voltai minha atenção para outra pessoa.

Tornai-nos dignos, senhor, de servir nossos irmãos que vivem e morrem pobres e com fome no mundo de hoje.

Dai-lhes, através de nossas mãos, o pão de cada dia, e dai-lhes, graças ao nosso amor compassivo, a paz e a alegria.


Madre Teresa de Calcutá

 

Somos todos peregrinos sobre a Terra


“Nós, os espíritas, temos que nos questionar muito como estão os nossos sentimentos de solidariedade, compreensão e tolerância; que pensamentos lançamos ao espaço quando o assunto nos alcança à alma? São de preconceito, esse filho direto do egoísmo e do orgulho?” (Humberto Werdine, autor do artigo Refugiados: a força e a esperança por um fio, um dos destaques desta edição.)

Necessitamos de indulgência para o acolhimento daqueles que buscam, desesperadamente, o conforto, o amparo, o socorro e a compreensão. Apesar das diferenças culturais, incluindo-se as religiosas, devemos, antes de tudo, respeitar os direitos do homem e dar tratamento humanitário aos refugiados.

Nunca, como hoje, se perseguiram tanto os muçulmanos, mesmo os que já detêm direitos de cidadania. Esses e, em especial, os clandestinos, pela própria tez e origem, têm sido classificados como possíveis terroristas e alvo de lamentáveis demonstrações de xenofobia.

“Nesta encruzilhada, devemos lembrar as palavras de Jesus que abrem este artigo: ‘porque tive fome e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; eu era estrangeiro e me acolhestes’. E, mesmo no Antigo Testamento, a Torah, o livro sagrado dos judeus que Jesus ensinou e pregou, há várias passagens sobre o tratamento aos estrangeiros. Em Gênesis 25.9 é dito ‘não oprimirás ao estrangeiro, pois vós conheceis o coração do estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egito’. Outra passagem importante é em Jó 31.32: ‘O estrangeiro não passava a noite fora; minhas portas eu abria para o viajante’.” (Humberto Werdine, no artigo citado.)

As palavras de Jesus são de uma simplicidade profunda. Não há nelas teoria, mas indicações objetivas pertinentes à prática do bem. Acolher o refugiado, mesmo que seja um inimigo, é atitude eminentemente cristã. É claro que se deve agir com prudência, para que o joio e o trigo sejam devidamente identificados e não se cometam injustiças.

“Nós os espíritas, que somos sabedores destas verdades, devemos orar para que nossos políticos e governantes possam, enquanto dormem, ser inspirados em seus sonhos pela Espiritualidade Superior para estarem cientes da grande responsabilidade que está nas suas mãos, para que possam agir rapidamente com caridade e compaixão para acabar com esta crise humanitária de forma definitiva.” (Humberto Werdine, no artigo citado.)

A xenofobia não está somente no círculo daqueles que estão no poder. Ela está na base da população e, em alguns casos, chega a um nível próximo da histeria. Ignoram essas pessoas que muitos dos ex-refugiados que conseguiram direitos de cidadania e aqueles que tentam obtê-la são aqueles que, em passado não muito remoto, foram explorados pelos países aos quais hoje suplicam uma oportunidade para viver.

A migração sempre causa temores por parte daqueles que recebem os refugiados. O estado de São Paulo, como os brasileiros sabem, recebeu ao longo de sua história e continua a receber migrantes (por que não dizer refugiados?) de regiões pobres do Nordeste do Brasil, incapazes de oferecer as condições necessárias para que seus filhos permaneçam nas localidades onde nasceram, especialmente nas ocasiões em que a seca torna inviável a vida em tais locais. Mas tal como acontece em inúmeros países europeus, se pudessem, os cidadãos que discriminam expulsariam também esses migrantes.

“Em conclusão, enquanto os políticos trabalham para combater as causas destas guerras que causam estas crises de refugiados, devemos armar-nos com fé, amor, caridade, tolerância e compreensão, e ajudar como pudermos estes irmãos infelizes, que foram forçados a fugir de seus países em guerra para salvar e dar uma vida melhor e mais digna a seus filhos”. (Humberto Werdine, no artigo citado.)

O espírita vai às comunidades carentes para levar instrução. Mas vai também para levar-lhes consolo e facilitar a inclusão social.

Falamos das comunidades carentes porque é a experiência mais próxima da realidade brasileira, embora já tenhamos por aqui os refugiados haitianos e outros imigrantes expulsos por causa da violência ou da miséria que reina em seu país de origem.

Ninguém ignora que sofrem eles preconceito e discriminação, especialmente nos estados do Sul. Em sua maioria, os haitianos recebem os salários mais baixos e as colocações mais humildes, enquanto o desejo das pessoas que discriminam é, em verdade, repatriá-los, esquecendo-se de que todos nós somos peregrinos sobre a Terra e nela nos encontramos igualmente de passagem.(1)

 

(1) Aos que duvidam de que somos peregrinos sobre a Terra, sugerimos que leiam ou releiam a mensagem constante do cap. III, item 14, d´O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.



 

Família


Família: o lugar onde somos tratados melhor e onde se resmunga mais.
(J. Garland Polard)


O reduto familiar na Terra foi um dos primeiros ambientes formados, para que se reunissem as almas em adestramento na prisão do corpo físico. Viver em conjunto é a maior necessidade dos seres humanos, para a conquista da compreensão, dando início ao amor e à oportunidade da reencarnação.

Passaram-se épocas incontáveis, mas a família continuou crescendo, criando novas necessidades e ampliando seus deveres frente ao seu despertamento espiritual. As leis cada vez mais passaram a amparar a linhagem familiar, resguardando sua força em defesa da moral, supostamente dissolvida pelo progresso.

A família é, pois, a célula da sociedade, de onde nasce a segurança para a própria criatura, porque nela as leis fazem encontrar as inimizades que se tornam amizades pelo passar do tempo na luz de Deus.

Ninguém destrói a família; ela avança, mesmo depois do túmulo, buscando o crescimento do amor e glorificando a lei da justiça.

A fraternidade é gerada com mais intensidade no agrupamento; no entanto, é onde mais se resmunga, por causa dos encontros dos endividados com a lei, que buscam se entender, uns com os outros, em várias das suas reencarnações. O tronco familiar se faz uma bênção de Deus; é um ninho aconchegante de oportunidades, destinado a compreender o objetivo da própria vida espiritual.

Já assinalamos que a vida na Terra principiou em agrupamentos, sem esquecer todos os reinos, que podem ser observados com facilidade, na natureza: as pedras, as árvores, os animais e, enfim, os homens, e vão muito além, os Espíritos desencarnados. Veja os mundos e as próprias galáxias! Todos se movem juntos, ligados por fluidos que partem do “coração” de Deus.

Jesus surgiu também em um grupo familiar, para dar exemplo do Seu valor. Vamos aprender a amar a família, para que esse amor se estenda à família universal, como a toda a criação. Tudo que existe é nosso próximo, por nada existir desligado, dentro da casa do Senhor.

O pensamento de Deus circula na intimidade de toda a criação, inspirando e fazendo crescer todas as coisas, na mostra do progresso universal. Estamos nos aproximando de novos acontecimentos que vão nos dar a impressão de destruição da família e dos povos, sendo isso, entretanto, somente nas aparências; é para unificar os povos e solidificar as famílias em todas as nações. Não há o que temer, em relação às convulsões morais que se aproximam, nem mesmo às guerras que poderão surgir, pela ignorância dos homens, pois, no somar das confusões, as bênçãos do Criador reúnem todos pela sintonia, dando a cada um, a cada grupo, o salário a que fizeram jus, na pauta do tempo e no desenrolar da vida.


Como diz o pensamento em que nos inspiramos, é no lugar onde se resmunga mais. Vamos deixar de resmungar, amando aos que nos cercam.


 

O verdadeiro sentido do Natal


O Natal está chegando de novo. O mundo cristão entra em clima de beleza, de luzes, preparando-se para a comemoração.

Acontece, porém, uma coisa curiosa: grande parte dos que se preparam para as festividades natalinas não têm conhecimento da grandeza da missão espiritual do aniversariante.

Poucos, muito poucos, são os que buscam saber quem é Jesus, como Ele viveu, qual foi a sua missão na Terra, quais as suas virtudes, quais os ensinamentos que Ele nos trouxe e por que motivos a sua mensagem revolucionou a história.

É importante cogitarmos sobre tais inquirições, pois do contrário não estaremos comemorando de forma condigna essa tão significativa efeméride mundial.

Sholem Asch, um judeu que diz ter sido romano no tempo de Jesus e ter vivido nessa época em Jerusalém, na qualidade de alto funcionário do governo romano – comandante das forças romanas que mantinha a ordem no país – , escreveu interessante livro sobre a vida de Jesus, obra traduzida pelo nosso patrício Monteiro Lobato, com o título “O Nazareno”.

A abordagem do autor abre as portas para uma maior compreensão da espiritualidade de Jesus e de sua ascensão moral junto às criaturas humanas.

Assim escreveu Sholem, comentando o que sentiu após ter ouvido o Sermão da Montanha:

“E o que a mim me aconteceu foi o seguinte – coisa que repito com vexame, mas é a verdade pura: eu, o Quiliarca de Jerusalém, esqueci completamente a minha dignidade, a minha identidade, a minha posição social; e, juntamente com o centurião de K’far Nahum, que estava tão tomado quanto eu, meti-me no meio daquele povo em delírio – corri com ele como se eu fizesse parte da massa e as palavras do rabi também me dissessem respeito! Até esse ponto eu e meu amigo nos deixamos arrastar! Com o centurião não era tanto, porque lá residia já de muito tempo e, pois, sofrera de longo o influxo judaico; mas eu, o comandante da fortaleza Antônia, o braço direito de Pôncio Pilatos – eu a comportar-me daquela maneira!... Confesso que durante o sermão da montanha deixei-me arrastar pela magia daquele homem. Quer mais pormenores de como terminou aquilo? Empolgado pela atmosfera de sedução aproximei-me e pela primeira vez na vida prestei obediência a um judeu. Ao sentir isso Ele olhou-me com expressão de piedade compassiva – e eu senti qualquer coisa quebrar-se dentro de mim. E o que há de mais estranho (custa-me a confessá-lo) é que naquele momento eu não sentia vexame nenhum da minha sujeição. Essa emoção empolgar-me-ia mais tarde, mas naquele momento senti uma luta dentro de mim, provocada por aquele olhar compassivo – luta entre a cólera e o anseio. O pálido rosto do rabi, emoldurado na barba tão moça, o corpo frágil, a expressão de infinita piedade, tudo me tocou e senti-me com Ele. E eu ainda pressentia que algo superior à minha compreensão pairava em torno daquele homem, e me libertava de qualquer medo”.

Vale a pena, nesta época do Natal, reflexionarmos a respeito das lições contidas nos Evangelhos de Jesus, servindo-nos delas para aprender a viver. A mensagem cristã exige de nós uma transformação que não pode reduzir-se a um dia, a algumas horas, a uma festa recheada de presentes. Do contrário, as comemorações do Natal terão para nós um sentido vago, puramente material, como outra festa mundana qualquer. A importância não está no “feriado”, mas em ser “ferido” pela boa nova cristã, capaz de nos remover do comodismo. É preciso que esta palavra quebre algo dentro de nós, que nos arraste, nos seduza. Eis o verdadeiro sentido do Natal! 


O Consolador
Crônicas e Artigos
Ano 10 - N° 496 - 18 de Dezembro de 2016

ÉDO MARIANI



 

O amor é um alimento divino




Primeiramente, lembremo-nos das sábias palavras de Jesus quando, no deserto, depois de ter jejuado por quarenta dias, disse: “... nem só de pão viverá o homem...” (Mateus 4,4; Lucas 4,4). Com isso, Ele quis mostrar-nos que são mais importantes os alimentos espirituais do que os materiais. 

Sem dúvida alguma, o amor encabeça a lista destes nutrientes imateriais. 

Tanto o amor é essencial para nós, que o Sublime Messias trouxe-nos o “Mandamento Maior” calcado nesse sentimento. Vejamo-lo: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mateus 22,37-40). 

Reparemos que o Divino Nazareno pede-nos que amemos a Deus, a nós e ao próximo. 

Ele também nos recomenda: ”Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis” (João 13,34). Pensamos ser o amor o maior sustentáculo dos seres humanos. Semelhante aos alimentos sólidos, que são fontes de energia imprescindíveis para a manutenção das funções vitais de todos nós, o amor, indiscutivelmente, é o principal nutriente para o espírito. Quanto mais nos enriquecermos de valores morais, mais próximos estaremos de Deus. 

O Divino Rabi não preceituou-nos que “amássemos uns aos outros” (João 13,34), unicamente objetivando a caridade. Recomendava-nos de igual maneira que nos alimentássemos mutuamente de simpatia e fraternidade, que são os grandes patrimônios do “amor profundo”, e que indiscutivelmente sustenta-nos a alma. Este último sentimento é o pão divino, o nutriente sublime dos corações. 

Se o “amor ao próximo” é a base da caridade, “amar os inimigos” (Mateus 5,44) é a mais excelsa aplicação desse princípio, porquanto a posse de tal virtude representa uma das maiores vitórias alcançadas contra o egoísmo e o orgulho. 

O amor é lei da vida. Se não houvesse amor nada faria sentido, pois só existimos porque Deus nos sustenta com o seu amor. 

“Busquemos, então, meditar sobre o que temos e o que não temos, sobre quem somos e sobre quem não somos, a respeito do que fazemos e do que não fazemos, guardando a convicção de que sem a presença do amor naquilo que temos, no que fazemos e no que somos, estaremos imensamente pobres, profundamente carentes, desvitalizados. A inteligência sem amor nos faz perversos. A justiça sem amor nos faz insensíveis e vingativos. A diplomacia sem amor nos faz hipócritas. O êxito sem amor nos faz arrogantes. A riqueza sem amor nos faz avaros. A pobreza sem amor nos faz orgulhosos. A beleza sem amor nos faz ridículos. A autoridade sem amor nos faz tiranos. O trabalho sem amor nos faz escravos. A simplicidade sem amor nos deprecia. A oração sem amor nos faz calculistas. A lei sem amor nos escraviza. A política sem amor nos faz egoístas. A fé sem amor nos torna fanáticos. A cruz sem amor se converte em tortura. A vida sem amor... Bem, sem amor a vida não tem sentido...” (Fonte: CD Momento Espírita, volume 7, faixa 3.) 

Paulo de Tarso demonstra que compreendera perfeitamente a importância dele, ao dizer:

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor” (1 Coríntios 13, 1-7; 13). 

Tendo tudo isto em vista, fartamo-nos de amor.

O Consolador

Crônicas e Artigos
Ano 10 - N° 494 - 4 de Dezembro de 2016
HUGO ALVARENGA NOVAES

 

As mudanças em curso



O momento presente é extremamente significativo para o Brasil. O país tem enfrentado pacificamente, obviamente que ao seu modo e ao seu jeito um tanto peculiar, as inúmeras consequências desastrosas legadas recentemente. Partidarismos à parte, o fato é que o país caminhava celeremente para o colapso, dado o descontrole das finanças públicas, da desorganização da economia, do desemprego crescente, da incapacidade de governar, da corrupção sistêmica e do escabroso aparelhamento do Estado.

As revelações que ora emergem da Operação Lava Jato, assim como de outras menos expressivas, também estão derruindo certos mitos políticos cuidadosamente construídos ao longo das últimas décadas. Os seus desmandos, excessos e desvios éticos e morais estão aparecendo sob uma força avassaladora.

Desse modo, se há algo admirável na atualidade, é a possibilidade de se descortinar os atores sociais na sua inteireza, isto é, tal qual são. Provavelmente muitos personagens de alta expressão acabarão sucumbindo, mais dia menos dia, diante das provas e evidências insofismáveis das suas práticas delituosas.

Enfim, não se consegue mais ocultar a verdade. Independentemente das pertinentes ações da justiça humana, há também – não podemos nos esquecer – a intervenção precisa e benfazeja da Espiritualidade superior. Ou seja, chega o instante que o mal, com tudo que ele representa, precisa ser afastado.

Tal constatação, que está amplamente sustentada nos fatos noticiados pela imprensa e no desdobramento de certos fatos, nos conduz aos esclarecimentos prestados pelos Espíritos na questão 781 do O Livro dos Espíritos:

“781. Tem o homem o poder de paralisar a marcha do progresso?

Não, mas tem, às vezes, o de embaraçá-la.

a) — Que se deve pensar dos que tentam deter a marcha do progresso e fazer que a Humanidade retrograde?

Pobres seres, que Deus castigará! Serão levados de roldão pela torrente que procuram deter”.

Posto isto, os governantes atualmente empossados estão encetando medidas amargas e reformistas, porém necessárias à estabilidade. Especificamente para eles cabe recordar a providencial recomendação do Espírito Emmanuel, conforme consta na obra Fonte Viva (psicografia de Francisco Cândido Xavier), “Quem puder receber uma gota de revelação espiritual no imo do ser, demonstrando o amadurecimento preciso para a vida superior, procure, de imediato, o posto de serviço que lhe compete, em favor do progresso comum”.

Se eles se conduzirem com proficiência nas suas atribuições e responsabilidades, nós teremos uma nação muito mais amadurecida e preparada para o enfrentamento dos desafios típicos dessa era. O Brasil está passando por uma transição dolorosa, embora indispensável à sua recuperação.

As almas que aqui vivem precisam de incentivos à conduta ética, de exemplos dignificantes e honráveis, particularmente da sua elite. Mais do que nunca, as novas gerações precisam aprender que “o crime não compensa”. As mudanças em curso são positivas e, se bem executadas, trarão dias melhores e progresso geral. Nem tudo é perfeito ou será perfeito, mas Jesus está no leme como sempre – não nos esqueçamos. 


ANSELMO FERREIRA VASCONCELOS 

O Consolador
Crônicas e Artigos
Ano 10 - N° 493 - 27 de Novembro de 2016  

 
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