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NO CENTRO ESPÍRITA


Quando estava para começar a reunião, Maurício veio me buscar e fomos para o salão. Ficamos na parte direita de quem entra e sentamos. Este espaço é reservado a visitantes desencarnados. Sentamos emcadeira plasmada acima do solo material e não nas cadeiras dos encarnados. Conhecia todos os encarnados presentes, foi prazeroso vê- los. Fiz a eles uma oração de gratidão, oraram muito por mim. Havia muitos desencarnados, trabalhadores, visitantes como eu e os que iam ser orientados e socorridos. Estes últimos formavam filas que os trabalhadores do Centro organizavam para que tudo saísse a contento.

Vi o moço que conversou comigo na fila. Olhava-me fixamente. Ao olhá-lo, ele sorriu e acenou a mão. Maurício, vendo meu constrangimento, sorriu. De novo, não soube o que fazer. O moço continuou a acenar a mão, acenei a minha num tchauzinho. Ele ficou contente, acomodei-me atrás de Maurício para que ele não me visse mais. 

Um encarnado se apresentou acompanhado de um desencarnado, visivelmente atuado, e fez uma pergunta sobre um assunto que lhe afligia. Para nós desencarnados este senhor era portador de mediunidade.

—Todos os médiuns têm que frequentar um Centro Espírita?

—Todos nós somos livres para decidir o que queremos. Temos o nosso livre-arbítrio. Frequentam o Centro Espírita os que querem. Trabalham com a mediunidade os que querem ser úteis. O sensitivo precisa da assistência, da presença de amigos desencarnados. Esta é a razão de os médiuns normalmente precisarem ir a um Centro Espírita. Estes amigos desencarnados são espíritos bons que nos ajudam na vida cotidiana. Eles vão aconselhar, evitar que zombeteiros e espíritos necessitados possam perturbar o sensitivo. Para que haja esta ajuda, estes desencarnados, que são espíritos que querem crescer e trabalhar no Bem, condicionam a companhia do médium também a estes trabalhos. Se o médium encarnado não participa de um grupo, o desencarnado vai continuar participando e ajudando. Não irá parar porque o encarnado não quer trabalhar, só que não irá ajudá-lo. O desencarnado dispõe-se a ajudar o médium, mas lhe quer como companheiro, que trabalhem e cresçam juntos. Nos trabalhos de um Centro Espírita ambos aprendem e crescem, vão participar do socorro a desencarnados e a outros encarnados.

O médium, não frequentando um Centro Espírita e não tendo a companhia de desencarnados bons para ajudá-lo, sofre as consequências de energias nocivas. Ou aprende pelo estudo e pesquisas a se livrar deles ou vai trabalhar na companhia dos bons desencarnados fazendo o Bem.

Todos nós devemos nos transformar e ajudar na transformação de outros para que sejam felizes um dia.

O médium não tem que ir a um Centro Espírita, ele necessita ir para ser ajudado e aprender ajudar. Para isto, não existe lugar melhor que o Centro Espírita.

Um frequentador do local, um encarnado querendo aprender, indagou a meu pai: 

—Podemos tirar lições de perseguições que desencarnados ignorantes nos fazem? É certo querermos nos livrar deles? Tenho visto muitas pessoas que aqui vêm, resolvem seus problemas e não voltam mais. 

Papai pensou rápido e respondeu:

—Muitas pessoas vão aos Centros Espíritas pedir ajuda para livrar-se de seus desafetos, como se fossem a uma loja buscar algo que querem para seu conforto. Muitos vão ao Centro Espírita achando que estão fazendo favores aos seus laboriosos trabalhadores e querem soluções. Estes encarnados que assim agem não vêem que se algo está errado com eles, com seu bem-estar, isto aconteceu pela sua própria imprudência. Agindo em função do seu egoísmo, imaginam que estão sofrendo por erro alheio. Acham que não fizeram mal nenhum. E que Deus não faz mais que obrigação em aliviá-los. Aliviados, esquecem-se completamente do ocorrido e voltam ser como eram antes.

Outros, no entanto, ao se depararem com a pressão maldosa dos desencarnados perturbadores, buscam o socorro. Sim, é certo buscar o socorro. Aliviados, param para pensar. Dois fatos lhes chamam a atenção. O mal-estar interior e o alívio. Compreendem que algo sutil, não visível aos sentidos, age ora prejudicando ora auxiliando. Baseados nesta compreensão iniciam a sua mudança para melhor.

Muitos trabalhadores encarnados de muitos Centros Espíritas ao socorrer um encarnado necessitado são perseguidos por outras entidades maléficas, que podem investir sobre eles. Mas em vez de se sentirem mártires do Bem, benfeitores do semelhante, aproveitam as chicotadas para se aprimorar.

Eu, quando um perturbador não me pressiona, sinto falta, pois a pressão negativa que fazem leva-me a estar sempre vigilante com meus pensamentos e atitudes. Para não sofrer estados inferiores vou consolidando minhas atitudes no bom uso das coisas de Deus e da natureza. As dificuldades para uns são punição, para outros, oportunidades e estímulo para sua melhoria.

Outra pergunta foi feita por uma moça.

—Todo sofrimento é quitação do débito do passado ou sofremos também por outro motivo?

—Sofremos pelo débito do passado, mas nem sempre; é incontestável que o hoje é consequência do ontem. Mas também o hoje é causa do amanhã. Se hoje as circunstâncias são adversas, se estou consciente que posso transformá-las, estas adversidades ficam mais suaves. Oposição sempre teremos. Vamos lembrar do nosso gigante gênio espiritual Jesus de Nazaré que nos disse: “Vinde a mim, todos os que vos achais carregados, eu vos aliviarei.” (Mateus, XI:28-30) Para o homem insatisfeito com o que Deus lhe deu, toda dificuldade se torna um castigo, um martírio. Já para o homem que procura compreender Deus, servi-lo, amá-lo, todas as dificuldades são oportunidades que ele aproveita para superar-se.

Vou dar um exemplo bem comum em nosso dia-a-dia. Uma pessoa suja é natural que se lave, se purifique. Para muitos o banho é sacrifício. Muitos gostam de estar limpos, outros gostam de estar sujos. Para o indivíduo que está acostumado com a limpeza, a sujeira é um castigo. Para outros, tanto faz, pois gostam da sujeira. Os que não gostam e estão sujos incomodam-se. Nossos erros, vícios, são como a sujeira. Para estar limpo é necessário querer se limpar. Mas, às vezes, se quer estar limpo, mas não se quer deixar as causas que sujam. Esta luta para limpar-se muitas vezes traz sofrimentos. É como o alcoólatra que gosta de beber mas não gosta de ressaca. Quer que lhe tire o mal-estar da ressaca, mas quer continuar bebendo.

Assim são muitos que procuram a Casa Espírita e querem pelo passe eliminar o mal-estar da ressaca, dos seus erros, mas querem continuar no vício. Este conflito é causa de muitos dos nossos sofrimentos. 

Após, meu pai leu a Parábola dos Operários da Vinha (Mateus, XX:1-16). E explicou:

—A maioria de nós outros, em diversas fases da vida, atendemos ao convite Divino do nosso aperfeiçoamento espiritual. Em início tido como trabalho. São crentes e como tais procuram exercitar preceitos e lei Divinos. Estas leis aprimoram a convivência dos seres humanos no seu convívio do dia-a-dia. Aqueles que se voltam para este aperfeiçoamento nos dizeres das parábolas são os assalariados. Estes crentes da bondade, do amparo Divino, dedicam a sua existência ao exercício da fraternidade, solidariedade e Amor prescritos pela sua crença, como pontos fundamentais que propiciam a chegada de uma nova era, em que os homens deixam de se matar, de se explorar, de ser egoístas. Trabalham intensamente este modo de viver, inspirando a promessa de Jesus em que haverá um novo Céu e uma nova Terra.

Jesus sempre usou o símbolo material para inocular nele um grande significado espiritual. A vinha simboliza o cosmo. O cosmo é a casa de Deus. Todos somos chamados a participar espontaneamente desta vida comunitária, não em termos estreitos e egoístas mas em posição totalitária. Pois é fato que somos filhos deste cosmo e como tais devemos agir. Mas, enquanto a consciência desta filiação não acontece no interior do indivíduo, nós adiamos por mais ou menos um tempo a nossa participação consciente desta sinfonia universal. 

Aí, então, se dividem como na parábola diversas épocas em que nos colocamos à disposição do Divino para viver e usufruir da sua vinha.

Mas neste documento cósmico que é esta parábola, vemos ainda entre aqueles que estão a serviço do Senhor as diversidades de intenções. Todos os chamados, dentro do contexto da palavra, estão trabalhando, estão servindo ao Senhor. Mas a motivação difere entre uns e outros. Esta é a razão da queixa daquele que mais tempo esteve trabalhando. A personalidade egoísta que só faz algum trabalho esperando um benefício ou pagamento, ou uma posição de grandeza, mede o que tem a receber seja em pagamento ou benefícios pela extensão do esforço que ele desprendeu em proveito de seu Senhor. Pois este homem virtuoso ainda não se concebe como herdeiro Divino. Este Senhor ainda lhe é algo separado. Ainda não faz parte do seu círculo íntimo. Portanto, o pagamento que ele espera é de acordo com as privações a que ele submete da ociosidade, sensações e prazeres.

A sua medida ainda está vinculada às comparações que faz com seus semelhantes. Este homem ainda é escravo do tempo e do espaço, do muito e do pouco, do débito e do crédito. Este homem mesmo exercitando a virtude ainda não renasceu. Outros com a capacidade de compreensão maior já não trabalham, comparando ou esperando pagamento, seja este em forma de posses, prazeres ou de prêmios. Nem em função de posições espirituais. 

Eles sabem e se sentem filhos deste Senhor. Ora, se são filhos, tudo que é do Pai lhes pertence. Tudo que é deles sempre foi do Pai. Trabalham por prazer. Pois para que haja garantia de perfeição numa ação é necessário que ela seja feita com satisfação.

As atitudes destes são perenes, pois eles cuidam daquilo que lhes pertence. São os escolhidos. 

Vejam, na parábola, os que chegaram primeiro queriam receber mais que os outros; como já dissemos, eles estão no campo da quantidade de posição social. Os segundos não se importam com o pagamento. Tudo o que fazem é por amor, pois têm o prazer em trabalhar na vinha do pai, que é também deles.

As duas classes de homens estão trabalhando na vinha, mas diferem uma da outra. É baseado nesta diferença que vem o pagamento do Senhor. Aos egoístas Deus lhes concede como pagamento o sucesso no plano físico e mental. Baseado em posses, posições, satisfações físicas e mentais.

Aos desprendidos, Deus lhes concede a Paz, Amor, Alegria, Felicidades imperturbáveis que não estão ligadas nem ao tempo, nem ao espaço, nem ao pouco ou ao muito, mas sim a um estado de ser. São os filhos queridos do Pai, dos quais Jesus tanto fala.

Os que estavam na praça estavam esperando ser chamados para trabalhar. Os ociosos não se apresentaram na praça para o trabalho. Estes são aqueles que não se preocupam diante do ciclo evolutivo em devolver o talento que o homem possui em estado embrionário. Não foram mais admitidos, porque o círculo estava no seu final.

Terão que recomeçar em outro local ou mundo.

Vejam, o Nazareno há dois mil anos já nos fez o convite. Está em nossas mãos trabalhar esperando o pagamento. Está em nossas mãos construir aqui e agora um novo Céu e nova Terra. Basta que queiramos. Trabalhemos! 

Patrícia, Do Livro: Violetas na Janela, Psicografia de VERA LÚCIA MARINZECK DE CARVALHO


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