Home Mensagens Dr. Adolfo Morrer é como acordar cedo em uma manhã de inverno

Morrer é como acordar cedo em uma manhã de inverno

O dia já amanheceu e você tem hora para acordar. Está ali na cama, tentando resistir aos apelos do travesseiro e do edredom, macios e quentinhos, para continuar nesse prazeroso estado de sono, e finalmente pôr-se de pé. Ao lado, seu companheiro também dorme sem se preocupar em ter de levantar, pois está de folga. Você está sozinha. Chegou sua hora de partir, deixando para trás o mundo e as pessoas que conhece, desapegar e seguir o seu caminho. Sair do sonho e voltar à realidade.

Assim também a alma resiste a deixar seu corpo físico e retornar ao plano espiritual. Depois da vivência na terra, esquecemos como é o outro lado e a ideia de ir novamente rumo ao desconhecido nos causa medo e incertezas.

Mas o dever nos chama. Se chegarmos atrasados, seremos descontados. Se não fizermos nosso trabalho direito, seremos penalizados. A diversão e o descanso devem seguir os desafios árduos, daqueles que nos dão gosto de dizer: eu consegui! Se nada de valor foi feito, não há por que continuar dormindo, enquanto outros estão criando, contribuindo para o bem comum e mostrando que o homem não tem limites quando coloca toda sua vontade com um propósito.

Então eu acordei mais um dia, ainda sem muita esperança de grandes acontecimentos, apenas a velha rotina de sempre. Às vezes, a morte é assim, chega quando menos se espera, por isso temos de estar preparados.

Mas, desta vez, o carro não quis pegar. Meu marido, que sempre esteve ao meu lado, mais uma vez, veio me ajudar. Agradeci, mas vi que teria realmente de continuar sozinha, pelo caminho mais difícil. Peguei o ônibus e depois o trem. No trajeto, vi muitos que ficavam no caminho: um mendigo, o bêbado, vencidos pelos vícios, ou sem forças para continuar, ou porque foram impedidos ou porque não tinham recursos necessários, suicidas, abortados. A vida não é justa ou nem todos conseguem ver as oportunidades e as deixam passar. Esses terão de recomeçar de onde pararam. 

O trem. Passando pelas estações tão rápido como passam as fases da vida. Carros vão ficando para trás e eu penso: como os que escolheram o meio mais fácil e confortável. Também chegarão lá, mas levarão mais tempo. É o sofrimento que nos amadurece e faz queimar etapas. No vagão, pessoas simples, “prejudicadas na beleza”. Afinal, o que levaremos desta vida senão apenas nossa essência? Olho para mim imaginando: será que mereço estar entre eles? Bem, por enquanto, estão me deixando ficar, então acho que estou no rumo certo. Ainda não tenho todas as respostas. A morte é só a continuação para a próxima etapa.

A essa altura, não me sinto mais perdida nem com medo. O mundo continua parecido com o que eu já conhecia. Chego ao trabalho e sei o que deve ser feito. Depois de ter enfrentado tantas dificuldades para chegar até aqui, só quero fazer o que gosto o melhor que eu puder. Não estou mais sozinha, mas junto daqueles que têm o mesmo objetivo que eu. Tudo que eu vivi e aprendi me preparou para chegar até aqui. Mais cedo ou mais tarde, nossos amores e amigos que ficaram se juntarão a nós.

Livea Pinto


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