Dr. Adolpho e a filha Scheilla sucumbiram durante o embate que completa 100 anos, mas continuam sua trajetória de amor ao próximo.


Uma das maiores carnificinas da história da humanidade, a Primeira Guerra Mundial, ocorrida entre 28 de julho de 1914 e 11 de novembro de 1918, deixou cerca de 9 milhões de mortos, entre civis e militares. Em meio aos que sucumbiram, estavam seres que mais tarde se revelaram grandes mentores espirituais, com marcante atuação em terras brasileiras: o médico alemão Dr. Adolpho e sua filha, a enfermeira Scheilla. Hoje, Dr. Adolpho é um dos mentores do Instituto Espírita Cidadão do Mundo (IECIM).

Alemão formado em Medicina, Adolpho morava em Viena, na Áustria. Passava férias em Barcelona, capital da região da Catalunha, na Espanha, quando conheceu uma cigana, Guadalupe, por quem se apaixonou. Do romance dos dois nasceu Scheilla, que mais tarde se tornaria a grande parceira do pai nos trabalhos de assistência aos feridos durante a Primeira Guerra Mundial.

Dois anos depois do nascimento de Scheilla, Guadalupe, contaminada pela cólera, deixou a filha aos cuidados do pai. A princípio, a família de Adolpho quis que a jovem seguisse os passos dele e se formasse em Medicina. Mas Scheilla preferiu a Enfermagem.

“Deslocamento de ar”

Scheilla contava 28 anos quando, em 11 de novembro de 1918, foi assinado o armistício que pôs fim à Primeira Guerra Mundial. Dois dias depois, quando as tropas russas retornavam ao seu país de origem e passavam pela Alemanha, o hospital em que Scheilla, seu pai e mais três médicos trabalhavam – Takashi, Hans e Peter – foi bombardeado. Todos morreram.

Segundo o dirigente do IECIM, Laerson Cândido Oliveira, a respeito do momento do seu desencarne, o Dr. Adolpho relatou que só percebeu um grande deslocamento de ar e ficou com a parte esquerda do rosto machucada.

No mundo extrafísico, diz Laerson, Dr. Adolpho continuou fazendo o seu trabalho de cirurgião, atendendo as vítimas de guerra até 1932. A partir desse momento, entidades ligadas a Francisco de Assis recolhem Adolpho e seus amigos, que passaram cerca de três anos em um período de aperfeiçoamento em um hospital extrafísico. Na sequência, foram convocados para exercer a medicina espiritual na segunda onda de carnificina, com a aproximação da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Além do Atlântico

Depois de trabalhar como cirurgião na Primeira Guerra, durante o intervalo da Primeira e da Segunda Guerra e após a Segunda Guerra, Adolpho recebeu autorização para atuar nas casas de caridade além do Atlântico, no Brasil. Scheilla acompanhou o pai.

“Com a ajuda dos nossos irmãos espirituais portugueses e alemães, essa falange fundou a colônia espiritual Alvorada Nova, acima da cidade de Sorocaba [interior de São Paulo]. Em um grande hospital, chamado Maria de Nazaré, são atendidos 70 mil pacientes por dia, vindos da América do Sul, América Central e uma parte da América do Norte”, diz Laerson.

Fazem parte da mesma falange espiritual de Scheilla, prestando atendimento no Hospital Maria de Nazaré, o médico Napoleão Rodrigues Laureano e o Dr. Ricardo. 

“No atual momento de turbulência pelo qual passa o Brasil, e os países em geral da América Central e América do Sul, essas entidades têm se desdobrado no trabalho de assistência e orientação”, afirmou Laerson.

Jornal O Cidadão, Ano 12 - Edição 91 (Julho/Agosto 2014)