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A Receita da Felicidade

Tadeu, que era dos comentaristas mais inflamados, no culto da Boa Nova, em casa de Pedro, entusiasmara-se na reunião, relacionando os imperativos da felicidade humana e clamando contra os dominadores de Roma e contra os rabinos do Sinédrio.

Tocado de indisfarçável revolta, dissertou largamente sobre a discórdia e o sofrimento reinantes no povo, situando-lhes a causa nas deficiências políticas da época, e, depois que expendeu várias considerações preciosas, em torno do assunto, Jesus perguntou-lhe: 

- Tadeu, como interpreta você a felicidade?

- Senhor, a felicidade é a paz de todos.

O Cristo estampou significativa expressão fisionômica e ponderou: 

- Sim, Tadeu, isto não desconheço; entretanto, estimaria saber como se sentiria você realmente feliz.

O discípulo, com algum acanhamento, enunciou: 

- Mestre, suponho que atingiria a suprema tranqüilidade se pudesse alcançar a compreensão dos outros.

Desejo, para esse fim, que o próximo me não despreze as intenções nobres e puras.

Sei que erro, muitas vezes, porque sou humano; entretanto, ficaria contente se aqueles que convivem comigo me reconhecessem o sincero propósito de acertar.

Respiraria abençoado júbilo se pudesse confiar em meus semelhantes, deles recebendo a justa consideração de que me sinta credor, em face da elevação de meu ideal.

Suspiro pelo respeito de todos, para que eu possa trabalhar sem impedimentos.

Regozijar-me-ia se a maledicência me esquecesse.

Vivo na expectativa da cordialidade alheia e julgo que o mundo seria um paraíso se as pessoas da estrada comum se tratassem de acordo com o meu anseio honesto de ser acatado pelos demais.

A indiferença e a calúnia doem-me no coração.

Creio que o sarcasmo e a suspeita foram organizados pelos Espíritos das trevas, para tormento das criaturas.

A impiedade é um fel quando dirigida contra mim, a maldade é um fantasma de dor quando se põe ao meu encontro.

Em razão de tudo isso, sentir-me-ia venturoso se os meus parentes, afeiçoados e conterrâneos me buscassem, não pelo que aparento ser nas imperfeições do corpo, mas pelo conteúdo de boa-vontade que presumo conservar em minhalma.

Acima de tudo, Senhor, estaria sumamente satisfeito se quantos peregrinam comigo me concedessem direito de experimentar livremente o meu gênero de felicidade pessoal, desde que me sinta aprovado pelo código do bem, no campo de minha consciência, sem ironias e críticas descabidas.

Resumindo, Mestre, eu queria ser compreendido, respeitado e estimado por todos, embora não seja, ainda, o modelo de perfeição que o Céu espera de mim, com o abençoado concurso da dor e do tempo.

Calou-se o apóstolo e esboçou-se, na sala singela, incontido movimento de curiosidade ante a opinião que o Cristo adotaria.

Alguns dos companheiros esperavam que o Amigo Celeste usasse o verbo em comprida dissertação, mas o Mestre fixou os olhos muito límpidos no discípulo e falou com franqueza e doçura:

- Tadeu, se você procura, então, a alegria e a felicidade do mundo inteiro, proceda para com os outros, como deseja que os outros procedam para com você. E caminhando cada homem nessa mesma norma, muito breve estenderemos na Terra as glórias do Paraíso.

Néio Lúcio, Do livro: Jesus no Lar, Médium: Francisco Cândido Xavier


 

Visão Espírita da Páscoa

O Espiritismo não celebra a Páscoa, mas respeita as manifestações de religiosidade das diversas igrejas cristãs, e também não proíbe que seus adeptos manifestem sua religiosidade.

Páscoa, ou Passagem, simboliza a libertação do povo hebreu da escravidão sofrida durante séculos no Egito, mas no Cristianismo comemora a ressurreição do Cristo, que se deu na Páscoa judaica do ano 33 da nossa era, e celebra a continuidade da vida.

O Espiritismo, embora sendo uma Doutrina Cristã, entende de forma diferente alguns dos ensinamentos das Igrejas Cristãs. Na questão da ressurreição, para nós, espíritas, Jesus apareceu à Maria de Magdala e aos discípulos, com seu corpo espiritual, que chamamos de perispírito. Entendemos que não houve uma ressurreição corporal, física. Jesus de Nazaré não precisou derrogar as leis naturais do nosso mundo para firmar o seu conceito de missionário. A sua doutrina de amor e perdão é muito maior que qualquer milagre, até mesmo a ressurreição.

Isto não invalida a Festa da Páscoa se a encararmos no seu simbolismo. A Páscoa Judaica pode ser interpretada como a nossa libertação da ignorância, das mazelas humanas, para o conhecimento, o comportamento ético-moral. A travessia do Mar Vermelho representa as dificuldades para a transformação. A Páscoa Cristã, representa a vitória da vida sobre a morte, do sacrifício pela verdade e pelo amor. Jesus de Nazaré demonstrou que pode-se Executar homens, mas não se consegue matar as grandes idéias renovadoras, os grandes exemplos de amor ao próximo e de valorização da vida.

Como a Páscoa Cristã representa a vitória da vida sobre a morte, queremos deixar firmado o conceito que aprendemos no Espiritismo, que a vida só pode ser definida pelo amor, e o amor pela vida. Foi por isso que Jesus de Nazaré afirmou que veio ao mundo para que tivéssemos vida em abundância, isto é, plena de amor.

 

Tende confiança na bondade de Deus

Tende confiança na bondade de Deus e sede bastante esclarecida para compreender que ele vos prepara um novo destino. Não vos será possível, é verdade, desfrutá-lo nesta existência. Mas não sereis felizes se, mesmo não revivendo neste globo, pudésseis apreciar do alto a obra que começastes e que se desenvolverá sob os vossos olhos? Revesti-vos de uma fé sólida, sem vacilações,para enfrentar os obstáculos que parecem dever levantar-se contra o edifício cujos fundamentos lançastes.

As bases em que ele se apóia são firmes. O Cristo colocou a sua primeira pedra. Coragem, pois, arquitetos do divino Mestre! Trabalhai, construí e Deus complementará a vossa obra. Mas lembrai-vos que o Cristo não considera seus discípulos os que só têm a caridade nos lábios. Não basta crer, é necessário sobretudo dar o exemplo da bondade, da benevolência e do desinteresse. Sem isso a vossa fé será estéril para vós.

SANTO AGOSTINHO, O Livro dos Médiuns, por ALLAN KARDEC – tradução de José Herculano Pires


 

Mágoa


Síndrome alarmante, de desequilibro, a presença da mágoa faculta a fixação de graves enfermidades físicas e psíquicas no organismo de quem a agasalha. 

A mágoa pode ser comparada à ferrugem perniciosa que destrói o metal em que se origina. 

Normalmente se instala nos redutos do amor-próprio ferido e paulatinamente se desdobra em seguro processo enfermiço, que termina por vitimar o hospedeiro. 

De fácil combate, no início, pode ser expulsa mediante a oração singela e nobre, possuindo, todavia, o recurso de, em habitando os tecidos delicados do sentimento, desdobrar-se em modalidades várias, para sorrateiramente apossar-se de todos os departamentos da emotividade, engedrando cânceres morais irreversíveis. Ao seu lado, instala-se, quase sempre, a aversão, que estimulam o ódio, etapa grave do processo destrutivo. 

A mágoa, não obstante desgovernar aquele que a vitaliza, emite verdadeiros dardos morbíficos que atingem outras vítimas incautas, aquelas que se fizeram as causadoras conscientes ou não do seu nascimento. 

Borra sórdida, entorpece os canais por onde transita a esperança, impedindo-lhe o ministério dor'>consolador. 

Hábil, disfarça-se, utilizando-se de argumentos bem urdidos para negar-se ao perdão ou fugir ao dever do esquecimento. Muitas distonias orgânicas são o resultado do veneno da mágoa, que, gerando altas cargas tóxicas sobre a maquinaria mental, produz desequilíbrio no mecanismo psíquico com lamentáveis conseqüências nos aparelhos circulatório, digestivo, nervoso... 

O homem é, sem dúvida, o que vitaliza pelo pensamento. Sua idéias, suas aspirações constituem o campo vibratório no qual transita e em cujas fontes se nutre. 

Estiolando os ideais e espalhando infundadas suspeitas, a mágoa consegue isolar o ressentido, impossibilitando a cooperação dos socorros externos, procedentes de outras pessoas. 

Caça implacavelmente esses agentes inferiores, que conspiram contra a tua paz. O teu ofensor merece tua compaixão, nunca o teu revide. 

Aquele que te persegue sofre desequilíbrios que ignoras e não é justo que te afundes, com ele, no fosso da sua animosidade. 

Seja qual for a dificuldade que te impulsione à mágoa, reage, mediante a renovação de propósitos, não valorizando ofensas nem considerando ofensores. 

Através do cultivo de pensamentos salutares, pairarás acima das viciações mentais que agasalham esses miasmas mortíferos que, infelizmente, se alastram pela Terra de hoje, pestilenciais, danosos, aniquiladores. 

Incontáveis problemas que culminam em tragédias quotidianas são decorrência da mágoa, que virulenta se firmou, gerando o nefando comércio do sofrimento desnecessário. 

Se já registras a modulação da fé raciocinada nos programas da renovação interior, apura aspirações e não te aflijas. Instado às paisagens inferiores, ascendo na direção do bem. Malsinado pela incompreensão, desculpa. Ferido nos melhores brios, perdoa. 

Se meditares na transitoriedade do mal e na perenidade do bem, não terás outra opção, além daquela: amar e amar sempre, impedindo que a mágoa estabeleça nas fronteiras da tua vida as balizas da sua província infeliz. 

"Quando estiveres orando, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, para que vosso Pai que está nos Céus, vos perdoe as vossas ofensas". - Marcos: 11-25. 

"Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! exclama geralmente o homem em todas as posições sociais. Isto, meus caros filhos, prova melhor do que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: "A felicidade não é deste mundo". - Cap.V - Item 20.


Joanna de Ângelis, Médium: Divaldo Pereira Franco

 

O Espírito da Verdade



Advento do Espírito da Verdade

ESPÍRITO DE VERDADE, Paris, 1860

                                                        

5 – Venho, como outrora, entre os filhos desgarrados de Israel, trazer a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como outrora a minha palavra, deve lembrar os incrédulos que acima deles reina a verdade imutável: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinar as plantas e que levanta as ondas. Eu revelei a doutrina divina; e, como um segador, liguei em feixes o bem esparso pela humanidade, e disse: “Vinde a mim, todos vós que sofreis!”

Mas os homens ingratos se desviaram da estrada larga e reta que conduz ao Reino de meu Pai, perdendo-se nas ásperas veredas da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana. Ele quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, ou seja, mortos segundo a carne, porque a morte não existe, sejais socorridos, e que não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a voz dos que se foram, faça-se ouvir para vos gritar: Crede e orai! Porque a morte é a ressurreição, e a vida é a prova escolhida, durante a qual vossas virtudes cultivadas devem crescer e desenvolver-se como o cedro.

Homens fracos, que vos limitais às trevas de vossa inteligência, não afasteis a tocha que a clemência divina vos coloca nas mãos, para iluminar vossa rota e vos reconduzir, crianças perdidas, ao regaço de vosso Pai.

Estou demasiado tocado de compaixão pelas vossas misérias, por vossa imensa fraqueza, para não estender a mão em socorro aos infelizes extraviados que, vendo o céu, caem nos abismos do erro. Crede, amai, meditai todas as coisas que vos são reveladas; não misturem o joio ao bom grão, as utopias com as verdades.

Espíritas; amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo; os erros que nele se enraizaram são de origem humana; e eis que, de além túmulo, que acreditáveis vazios, vozes vos clamam: Irmãos! Nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal; sede os vencedores da impiedade!

*

ESPÍRITO DE VERDADE 

Paris, 1861

            6 – Venho ensinar e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem sua resignação ao nível de suas provas; que chorem, porque a dor no Jardim das Oliveiras, mas que esperem, porque os anjos consoladores virão enxugar as suas lágrimas.

            Trabalhadores, traçai o vosso sulco. Recomeçai no dia seguinte a rude jornada da véspera. O trabalho de vossas mãos fornece o pão terreno aos vossos corpos, mas vossas almas não estão esquecidas: eu, o divino jardineiro, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos. Quando soar a hora do repouso, quando a trama escapar de vossas mãos, e vossos olhos se fecharem para a luz, sentireis surgir e germinar em vós a minha preciosa semente. Nada se perde no Reino de nosso Pai. Vossos suores e vossas misérias formam um tesouro, que vos tornará ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas, e onde o mais desnudo entre vós será talvez o mais resplandecente.

            Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são os meus bem-amados. Instrui-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos ensina o objetivo sublime da prova humana. Como o vento varre a poeira, que o sopro dos Espíritos dissipe a vossa inveja dos ricos do mundo, que são freqüentemente os mais miseráveis, porque suas provas são mais perigosas que as vossas. Estou convosco, e meu apóstolo vos ensina. Bebei na fonte viva do amor, e preparai-vos, cativos da vida, para vos lançardes um dia, livres e alegres, no seio daquele que vos criou fracos para vos tornar perfeitos, e deseja que modeleis vós mesmos a vossa dócil argila, para serdes os artífices da vossa imortalidade.                      

 *

ESPÍRITO DE VERDADE

Bordeaux, 1861

            7 – Eu sou o grande médico das almas, e venho trazer-vos o remédio que vos deve curar. Os débeis, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos, e venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, todos vós que sofreis e que estais carregados, e sereis aliviados e consolados. Não procureis alhures a força e a consolação, porque o mundo é impotente para dá-las. Deus dirige aos vossos corações um apelo supremo através do Espiritismo: escutai-o. Que a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade, sejam extirpados de vossas almas doloridas. São esses os monstros que sugam o mais puro do vosso sangue, e vos produzem chagas quase sempre mortais. Que no futuro, humildes e submissos ao Criador, pratiqueis sua divina lei. Amai e orai. Sede dócil aos Espíritos do Senhor. Invocai-o do fundo do coração. Então, Ele vos enviará o seu Filho bem-amado, para vos instruir e vos dizer estas boas palavras: “Eis-me aqui; venho a vós, porque me chamastes!

*

ESPÍRITO DE VERDADE

Havre, 1863

            8 – Deus consola os humildes e dá força aos aflitos que a suplicam. Seu poder cobre a Terra, e por toda parte, ao lado de cada lágrima, põe o bálsamo que consola. O devotamento e a abnegação são uma prece contínua e encerram profundo ensinamento: a sabedoria humana reside nessas duas palavras. Possam todos os Espíritos sofredores compreender estas verdades, em vez de reclamar contra as dores, os sofrimentos mortais, que são aqui na Terra o vosso quinhão. Tomai, pois, por divisa, essas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõe. O sentimento do dever cumprido vos dará a tranqüilidade de espírito e a resignação. O coração bate melhor, a alma se acalma, e o corpo já não sente desfalecimentos, porque o corpo sofre tanto mais, quanto mais profundamente abalado estiver o espírito.


O Evangelho Segundo o Espiritismo
por ALLAN KARDEC – tradução de José Herculano Pires


 

Alguém para Amar

Senhor, quando eu tiver fome, dai-me alguém que necessite de comida.

Quando tiver sede, dai-me alguém que precise de água.

Quando sentir frio, dai-me alguém que necessite de calor.

Quando tiver um aborrecimento, dai-me alguém que necessite de consolo.

Quando minha cruz parecer pesada, deixe-me compartilhar a cruz do outro.

Quando me achar pobre, ponde a meu lado alguém necessitado.

Quando não tiver tempo, dai-me alguém que precise de alguns dos meus minutos.

Quando sofrer humilhação, dai-me ocasião para elogiar alguém.

Quando estiver desanimada, dai-me alguém para lhe dar novo ânimo.

Quando sentir necessidade da compreensão dos outros, dai-me alguém que necessite da minha.

Quando sentir necessidade de que cuidem de mim, dai-me alguém que eu tenha de atender.

Quando pensar em mim mesma, voltai minha atenção para outra pessoa.

Tornai-nos dignos, senhor, de servir nossos irmãos que vivem e morrem pobres e com fome no mundo de hoje.

Dai-lhes, através de nossas mãos, o pão de cada dia, e dai-lhes, graças ao nosso amor compassivo, a paz e a alegria.


Madre Teresa de Calcutá

 

O amor socorre





“Pedi e se vos dará: buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá porque todo aquele que pede recebe, quem procura acha, e se abrirá àquele que bater à porta.” – Jesus (Mateus, VII: 7-11).


Esse momento de Jesus no Evangelho é mais um momento em que ele dá esperanças aos corações aflitos.

Sob o ponto de vista moral, diz Allan Kardec em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, o que as palavras de Jesus significam: pedi a luz que deve clarear o vosso caminho, e ela vos será dada; pedi a força de resistir ao mal, e a tereis; pedi a assistência dos bons Espíritos, e eles virão vos acompanhar e, como o anjo de Tobias, vos servirão de guias; pedi bons conselhos, e não vos serão jamais recusados; batei à nossa porta, e ela vos será aberta, mas pedi sinceramente, com fé, fervor e confiança: apresentai-vos com humildade, não com arrogância; sem isso, sereis abandonados às vossas próprias forças, e as próprias quedas que tereis serão a punição do vosso orgulho.

A prece é sustentáculo. Pedir com amor e humildade dá forças e coragem a quem pede, dá esperanças. Continuemos, pois, a orar pela nossa Terra e por todos nós. Não desistamos de orar. Permaneçamos em oração e trabalho no bem, exemplificando o amor que aprendemos. Acendamos a candeia e a coloquemos no alto. Somos sempre atendidos pelo amor e precisamos retribuir ao amor.

Todos temos o nosso quinhão de sofrimentos a passar, mas o amor sustenta sempre, ampara sempre e na maioria das vezes estamos recebendo mais do que ofertamos. Deus sempre nos socorre.

As reuniões mediúnicas são, para os seus frequentadores, nos centros espíritas, grandes lições. São depoimentos valiosos dos Espíritos comunicantes, na grande maioria em sofrimento, dada a situação do planeta de provas e expiações em que ainda habitamos. Sempre o amor a socorrer aquele que bate à porta e pede com humildade.

À guisa de ilustração, rememoramos um caso, ouvido há pouco tempo, em meio a inumeráveis outros, que a bondade Divina permite vivenciarmos para o nosso aprendizado.

Um Espírito manifestou-se em sofrimento, dizendo que não conseguia respirar. Não conseguia respirar sem os aparelhos. Estava com um câncer na fase terminal. Sou médico, disse, e não consigo ajudar a mim mesmo! Não percebia que já tinha desencarnado. Não precisava mais sofrer. O câncer tinha sido no corpo e não no espírito, mas a lembrança era vívida e isso lhe provocava o mal-estar, como se ainda doente.

Com muito amor, foi ajudado pelo doutrinador da reunião. A falta de ar passou. Conseguia respirar. Disse que era médico dermatologista e que, quando descobriu o câncer, este já estava muito adiantado, com metástases diversas.

Foi orientado sobre a imortalidade da alma. O doutrinador lhe disse que se ele era médico, deveria ter feito muito bem e Deus sempre ampara a quem socorre. O Espírito se acalmou. Tranquilizou-se e foi então orientado de que ele já não estava mais num corpo humano, que já estava no mundo espiritual.

Agradecido por estar sendo ouvido e amparado, ele deu seu depoimento. Disse que quando descobriu seu câncer, estava com cinco anos de casamento. Tinha uma filhinha com dois anos de idade e ela era linda como a luz do sol, loura, de olhos azuis, lhe lembrava um anjo. Era a época mais feliz da vida dele. Tinha projetos, tinha sonhos. Pensava que era um Deus.

Quando viu que estava doente, que seus sonhos desabavam, revoltou-se, não aceitou. Seu orgulho e sua revolta não lhe permitiram perceber o auxílio que lhe era dispensado. Agora, ali, socorrido pelas orientações e pelas preces, via-se tal qual era, um Espírito que necessitava ser humilde. Pediu perdão a Deus pelo seu orgulho e vaidade. Nesse momento, ele viu o avô, que também tinha sido médico na Terra, a socorrê-lo e, grato, saiu emocionado, amparado pelo avô.

Somos sempre amparados, sempre atendidos quando oramos com sinceridade. Jesus, o emissário Divino nos pediu que permanecêssemos nele, que ele permaneceria em nós.

O amor jamais nos desampara. Libertemo-nos do orgulho que nos cega e veremos a ação desses amor continuadamente a agir a nosso favor, mesmo nas horas mais difíceis de nossas vidas. Pensemos nas horas difíceis como degraus de subida em direção à paz, se soubermos ter paciência e resignação.

Peçamos amparo a Deus e forças, e teremos esse amparo e essa força. Permaneçamos em paz. Todos os sofrimentos passam. Mantenhamos a fé e a esperança. 

 

Somos todos peregrinos sobre a Terra


“Nós, os espíritas, temos que nos questionar muito como estão os nossos sentimentos de solidariedade, compreensão e tolerância; que pensamentos lançamos ao espaço quando o assunto nos alcança à alma? São de preconceito, esse filho direto do egoísmo e do orgulho?” (Humberto Werdine, autor do artigo Refugiados: a força e a esperança por um fio, um dos destaques desta edição.)

Necessitamos de indulgência para o acolhimento daqueles que buscam, desesperadamente, o conforto, o amparo, o socorro e a compreensão. Apesar das diferenças culturais, incluindo-se as religiosas, devemos, antes de tudo, respeitar os direitos do homem e dar tratamento humanitário aos refugiados.

Nunca, como hoje, se perseguiram tanto os muçulmanos, mesmo os que já detêm direitos de cidadania. Esses e, em especial, os clandestinos, pela própria tez e origem, têm sido classificados como possíveis terroristas e alvo de lamentáveis demonstrações de xenofobia.

“Nesta encruzilhada, devemos lembrar as palavras de Jesus que abrem este artigo: ‘porque tive fome e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; eu era estrangeiro e me acolhestes’. E, mesmo no Antigo Testamento, a Torah, o livro sagrado dos judeus que Jesus ensinou e pregou, há várias passagens sobre o tratamento aos estrangeiros. Em Gênesis 25.9 é dito ‘não oprimirás ao estrangeiro, pois vós conheceis o coração do estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egito’. Outra passagem importante é em Jó 31.32: ‘O estrangeiro não passava a noite fora; minhas portas eu abria para o viajante’.” (Humberto Werdine, no artigo citado.)

As palavras de Jesus são de uma simplicidade profunda. Não há nelas teoria, mas indicações objetivas pertinentes à prática do bem. Acolher o refugiado, mesmo que seja um inimigo, é atitude eminentemente cristã. É claro que se deve agir com prudência, para que o joio e o trigo sejam devidamente identificados e não se cometam injustiças.

“Nós os espíritas, que somos sabedores destas verdades, devemos orar para que nossos políticos e governantes possam, enquanto dormem, ser inspirados em seus sonhos pela Espiritualidade Superior para estarem cientes da grande responsabilidade que está nas suas mãos, para que possam agir rapidamente com caridade e compaixão para acabar com esta crise humanitária de forma definitiva.” (Humberto Werdine, no artigo citado.)

A xenofobia não está somente no círculo daqueles que estão no poder. Ela está na base da população e, em alguns casos, chega a um nível próximo da histeria. Ignoram essas pessoas que muitos dos ex-refugiados que conseguiram direitos de cidadania e aqueles que tentam obtê-la são aqueles que, em passado não muito remoto, foram explorados pelos países aos quais hoje suplicam uma oportunidade para viver.

A migração sempre causa temores por parte daqueles que recebem os refugiados. O estado de São Paulo, como os brasileiros sabem, recebeu ao longo de sua história e continua a receber migrantes (por que não dizer refugiados?) de regiões pobres do Nordeste do Brasil, incapazes de oferecer as condições necessárias para que seus filhos permaneçam nas localidades onde nasceram, especialmente nas ocasiões em que a seca torna inviável a vida em tais locais. Mas tal como acontece em inúmeros países europeus, se pudessem, os cidadãos que discriminam expulsariam também esses migrantes.

“Em conclusão, enquanto os políticos trabalham para combater as causas destas guerras que causam estas crises de refugiados, devemos armar-nos com fé, amor, caridade, tolerância e compreensão, e ajudar como pudermos estes irmãos infelizes, que foram forçados a fugir de seus países em guerra para salvar e dar uma vida melhor e mais digna a seus filhos”. (Humberto Werdine, no artigo citado.)

O espírita vai às comunidades carentes para levar instrução. Mas vai também para levar-lhes consolo e facilitar a inclusão social.

Falamos das comunidades carentes porque é a experiência mais próxima da realidade brasileira, embora já tenhamos por aqui os refugiados haitianos e outros imigrantes expulsos por causa da violência ou da miséria que reina em seu país de origem.

Ninguém ignora que sofrem eles preconceito e discriminação, especialmente nos estados do Sul. Em sua maioria, os haitianos recebem os salários mais baixos e as colocações mais humildes, enquanto o desejo das pessoas que discriminam é, em verdade, repatriá-los, esquecendo-se de que todos nós somos peregrinos sobre a Terra e nela nos encontramos igualmente de passagem.(1)

 

(1) Aos que duvidam de que somos peregrinos sobre a Terra, sugerimos que leiam ou releiam a mensagem constante do cap. III, item 14, d´O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.



 
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