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Esperado reencontro - Caso Clínico

Márcia passou pelo pior para despertar em si a mediunidade adormecida 

Era para ser uma cirurgia simples, para corrigir a artrose nos ombros que afetava Márcia Alfano há anos. Na metade de outubro, a empresária, de 52 anos, se submeteu de uma só vez a uma cirurgia nos dois ombros no Hospital Santa Catarina, em São Paulo. A recuperação corria aparentemente bem até que, uma semana depois, na véspera de retirar os pontos, Márcia começou a sentir um incômodo na região abdominal. Era uma cólica aguda, que fez seu abdômen inchar. Havia também uma protuberância no lado esquerdo, “como se fosse um caroço de manga”, lembra. 

No dia seguinte, uma quinta-feira, a dor piorou. Márcia foi ao médico para a retirada dos pontos. “Eu nem sentia o procedimento, de tão entorpecida de dor que estava”, diz a empresária, que também sentia uma febre interna. Assustado com o estado da paciente, o ortopedista pediu ao marido de Márcia, Marcílio, que a levasse imediatamente para o Hospital mais próximo, o São Luiz.

Mil de dor

“No hospital, a atendente perguntou qual era a intensidade da minha dor, em uma escala de 1 a 10 e eu respondi que era mil”, diz Márcia, que não registrou o rosto da atendente, nem do médico que a examinou rapidamente na sequência. “Eu só via do pescoço para baixo, estava fora de mim de tanta dor”, afirma.

Márcia foi encaminhada para a emergência, onde recebeu o diagnóstico de diverticulite – uma inflamação dos divertículos (bolsas e cistos pequenos e salientes) presentes no intestino grosso. Uma vez inflamados, os divertículos podem causar a perfuração intestinal, como apontou o exame de tomografia computadorizada ao qual Márcia foi submetida. Esse quadro poderia levar a um processo de infecção generalizada, por conta do vazamento do bolo fecal.

Delírio

Ao voltar do exame, Márcia não entendeu o que estava acontecendo. “Eu via um médico pairando sobre o meu corpo, estava em cima da minha cabeça”, lembra. “Eu pedia para o meu marido, que estava ao meu lado: ‘Diz para ele vir para o chão, pede para ele descer’”, afirma. Marcílio não entendeu nada, assim como o especialista que cuidava de Márcia na emergência. O médico pensou que se tratava de um delírio de dor e pediu que injetassem duas doses de morfina na paciente.

Márcia foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A temperatura dela estava altíssima, enquanto os batimentos cardíacos se mostravam muito fracos. “Eu fiquei à espera do gastroenterologista, que iria me operar, mas ele não chegava”, lembra. A cirurgia seria complicada: era preciso retirar a área do intestino comprometida pelos divertículos e colocar uma bolsa de colostomia. Essa bolsa fica presa à parede do abdômen para servir de depósito das fezes. Márcia teria que permanecer três meses com a bolsa, para só depois passar por uma nova cirurgia que iria reconectar as extremidades do cólon (parte do intestino) e fechar a colostomia.

Alta na segunda

O médico não veio e a cirurgia de emergência não foi realizada. Márcia agradece a Deus por isso. “Era uma cirurgia muito delicada, o risco de infecção era grande e eu poderia ter morrido”, diz. 

Aos poucos, o estado de saúde da empresária foi melhorando. A febre cedeu e o batimento cardíaco voltou ao normal. No sábado, dois dias depois de ter dado entrada na UTI, Márcia se sentia bem melhor. “Pedi até um livro para me entreter”, lembra. “Aquele ‘caroço de manga’ no abdômen estava quase imperceptível”, diz. 

Márcia foi encaminhada para o quarto no próprio sábado. Na segunda-feira, não sentia mais nada. Depois de passar por alguns exames, o gastroenterologista, Dr. Rubens, afirmou que a paciente estava respondendo muito bem à medicação, mas que, com certeza, ela não sairia do hospital antes de quinta-feira. Logo depois, Dr. Rubens voltou ao quarto e perguntou à Márcia: “Quer uma notícia boa?”. Ela respondeu, tentando adivinhar: “Não vou mais fazer cirurgia?”. Ele disse: “Não, você está de alta. O seu exame de sangue deu negativo para diverticulite”.

Márcia ficou mais do que surpresa, assim como o Dr. Rubens, que se disse “pasmo” com o resultado. Enquanto isso, o amigo da família, Walter Onofre Jr., voluntário do IECIM, ligou para o marido de Márcia para saber se ela já estava em casa. “Não”, respondeu Marcílio. “Ela não vai sair antes de quinta-feira”. Walter insistiu. “A informação que recebemos do plano espiritual é que ela sai hoje”, disse.

Cabelos encaracolados

No dia em que Márcia passou mal, Walter tinha ligado para a família. Soube do estado da amiga e perguntou para Marcílio se podia solicitar ajuda espiritual junto aos mentores do IECIM. Marcílio concordou. Mais tarde, Walter informou ao amigo que o diagnóstico dado à Márcia, de diverticulite, não era correto e por isso a cirurgia não seria feita. Segundo o plano espiritual, o que houvera foi uma complicação pós-cirúrgica do procedimento feito nos ombros, que deixou o intestino retorcido.

A medicina tradicional chinesa explica que o meridiano do intestino grosso está ligado ao ombro. O corpo humano têm diversos meridianos, como são chamados os canais da energia que circula pelo corpo.

Duas semanas depois da alta, Márcia foi pela primeira vez ao IECIM, agradecer a ajuda espiritual recebida. Qual não foi a sua surpresa quando conheceu o dirigente do centro, Laerson Cândido de Oliveira. “O médico que eu via pairando sobre mim era extremamente parecido com ele, tinha os cabelos encaracolados”, diz Márcia. No centro, o mentor espiritual perguntou a Márcia: “Quando você vai cuidar da sua mediunidade?”.

O tema não é novidade para Márcia. A mãe dela, Irani, de 72 anos, é espírita, embora nunca tenha aceitado completamente o próprio dom. “Minha mãe sempre lutou contra a mediunidade dela, até evangélica ela se tornou, na tentativa de ser uma pessoa ‘normal’”, diz. A própria Márcia, por sua vez, teve contato com a literatura espírita na juventude, para ajudar a mãe na tentativa de doutrinar espíritos obsessores que a acompanhavam.

“Voz do cérebro”

Hoje, Márcia diz ouvir o próprio “cérebro” lhe indicando o caminho melhor a tomar, em relação a si mesma ou aos outros, sejam da família ou até mesmo desconhecidos. “Já encontrei uma mulher na praia a quem recomendei força para passar por um momento desconfortável que viria, mas que seria superado” lembra Márcia. A mulher em questão teve câncer, do qual conseguiu se curar.

Com a filha mais velha, Taruana, que sofre de alergia, Márcia já foi intuída a aplicar nas lesões da jovem água de arroz e lhe ministrar chá de dente de leão, que ajudaram na recuperação da filha. 

No ano que vem, prometeu a si mesma se dedicar ao estudo do Espiritismo. Nesse sentido, o IECIM tende a ser seu ponto de apoio. “Diferentemente de outros lugares, no IECIM, nada me amedrontou”, diz. “A experiência que tive reforçou a minha fé de que Deus existe e tem os Seus intercessores”. 


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