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CASOS CLÍNICOS: Sete anos de busca

A trajetória de Eliana Macedo, da síndrome do pânico à libertação espiritual

“A quem muito foi dado, muito será cobrado”. A frase calou fundo em Eliana Macedo. Em 2006, então com 39 anos, ela ouviu a sentença no centro espírita Grupo Socorrista São Paulo, onde procurou ajuda para um problema que tivera início em 2003, quando passou a sofrer de síndrome do pânico. Então assessora de um prestigiado escritório de advocacia em São Paulo, divorciada e com uma filha adolescente, Eliana começou a sentir aquicardia. Logo em seguida, descobriu que a veia safena da sua perna esquerda estava obstruída, o que lhe causava intensas dores e medo de dirigir. Este pavor acabou desencadeando vários outros – medo de dormir e não acordar, de comer e engasgar, de perder a memória e não saber onde estava.

Quando chegou ao Grupo Socorrista, buscava respostas. Nos três anos anteriores, ela já havia feito uma cirurgia para retirada da safena da perna esquerda, mas a dor permanecia. O cirurgião vascular que a atendera no Hospital São Luiz, Dr. Fábio, recomendou então que ela procurasse um psicólogo, porque a dor não poderia ser real. Leonel, o psicólogo, acreditou que ela não precisava de sessões de terapia, mas sim de um centro espírita e lhe indicou o Grupo Socorrista. Lá, o simples alerta “A quem muito foi dado, muito será cobrado” – palavras de Jesus segundo o Evangelho de Lucas (capítulo 12, versículo 48) – lhe pareceu vazio e sem sentido. Ignorou a recomendação para voltar ao local para sessões de cromoterapia e simplesmente buscou outro especialista médico.

Entre os anos de 2003 e 2010, Eliana passou por cinco cirurgiões vasculares e esteve cinco vezes sobre uma mesa de cirurgia. O segundo especialista consultado por ela lhe desvendou parte da charada: o primeiro médico havia retirado a safena da perna direita, que estava boa, mas deixou a safena da perna esquerda, da qual retirou apenas as varizes. Muito mais que a dor física, este erro médico agravou a pressão psicológica vivida por Eliana. Os sintomas da síndrome do pânico iriam se intensificar e gerar outros problemas físicos.

Livros no lixo

Ainda em 2006, Eliana visitou a médium Edelarzil Munhoz Cardoso, em Votuporanga (SP), conhecida pelas materializações obtidas a partir do algodão. No local, se dirigiu primeiramente a uma capela, onde orou em voz alta: "Estou aqui para cumprir a sua obra, meu Deus, mas para isso preciso de saúde”. Um casal que estava próximo ouviu o apelo e lhe indicou o IECIM. Eliana agradeceu e mais tarde guardou o endereço no meio do livro que levara na viagem, “A Era de Ouro de Saint Germain”.

Auto-definida como “esotérica”, Eliana é membro da Fraternidade Rosacruz, que prega a cooperação e a busca do autoconhecimento para atingir a evolução. Seu pai era um espírita fervoroso e a sua avó, com quem ela mantém forte ligação até hoje, é evangélica. Mas nenhuma dessas influências foi suficiente para manter a fé de Eliana em um dos mais difíceis momentos da sua vida. Cansada de exames repetitivos e cirurgias, e sem acreditar em uma cura espiritual, Eliana rasgou e jogou fora todos os seus livros espíritas e até a Bíblia.

Voltou a trabalhar e começou a sofrer também de uma intensa alergia, que lhe impôs severa restrição alimentar. Foi impedida de comer grãos e tudo o que tivesse cor. “Só podia comer o que era branco”, lembra.

Maria, avó de Eliana, chamou a atenção da neta. “Eliana, você não tem nada disso, isso é a espiritualidade cobrando. Você tem uma missão a cumprir, não pode abandonar tudo de uma hora para outra, como uma criança que  para de brincar e guarda os brinquedos no armário”. Eliana chegou a ir à Igreja Internacional da Graça, com a avó. Mas sentia que algo lhe faltava.

Em julho do ano passado, ela foi internada na UTI, vítima de uma grave crise de edema de glote devido à alergia. No Hospital São Luiz, o desespero da paciente comoveu a enfermeira Marlene. Espírita, ela perguntou a Eliana se podia lhe aplicar um passe, ao que a paciente concordou prontamente.

Pouco depois, Eliana foi para o quarto e acabou recebendo alta. Dra. Sandra Mara, pneumologista do hospital, lhe indicou o uso de florais de Bach e de Saint Germain. Eliana se sentiu novamente pronta para se aproximar da espiritualidade. Procurou a Federação Espírita, onde passou por tratamento de desobsessão.

“Casa amarelinha”

Pela quinta vez, Eliana buscou um especialista para tratar a perna esquerda, que ainda a incomodava. Conheceu Dr. Wellington, cirurgião vascular, em quem sentiu confiança. Ao se encaminhar para o laboratório para mais uma bateria de exames, Eliana pegou o livro de Saint Germain, que há três anos havia ficado esquecido em sua casa. No meio dele, descobriu o endereço do IECIM. Sentiu vontade de conhecer o centro.

“Quando cheguei ao IECIM, me lembrei do que Dona Edelarzil havia me falado: que eu iria encontrar a cura em uma casa espírita amarelinha. Comecei a tremer por dentro”, diz. Ao explicar o caso da perna ao dirigente do  centro, Laerson, ouviu que seria curada. Não falou sobre a alergia ou sobre o pânico. Na casa, experimentou uma sensação de muita paz, como há muito tempo não tinha.

Foi quando Eliana pediu perdão a Deus por ter rasgado todos os livros espíritas e a Bíblia. No atendimento, recebeu agulhadas na perna e o sangue verteu. Saiu do IECIM sem dor e com uma boa dose de auto-confiança. De  noite, dirigiu pela Marginal Pinheiros, na zona sul de São Paulo, e guardou sozinha o carro na garagem. “Há muito tempo eu tinha deixado de fazer tudo isso por causa do pânico”, lembra. Durante quatro sextas-feiras, compareceu ao IECIM e as “vozes” deixaram de perturbá-la.

Em janeiro deste ano, quando fez o exame de ultrassom vascular, descobriu que a safena da perna direita, retirada por engano pelo primeiro cirurgião, havia sido surpreendentemente reconstituída. A safena da perna esquerda, por sua vez, estava desentupida. “Eu disse para o Dr. Wellington que havia feito o tratamento no IECIM e ele me pediu o endereço do centro, para encaminhar seus pacientes crônicos”, diz Eliana. Ainda assim, ela se submeteu à cirurgia para corrigir artérias rompidas.

“Professorinha”

De todos os seus problemas de saúde, apenas a alergia persistia. Em agosto, Eliana teve uma crise forte e perdeu a voz. Procurou novamente o IECIM e, uma semana depois, sua voz voltou. Mais do que isso: no fim de setembro, fez novos testes de alergia e todos deram negativo. Estava curada. “Voltei a comer normalmente e a usar perfumes, maquiagem, pintura para o cabelo... Tudo o que fui obrigada a abandonar durante todos esses anos”, diz Eliana.

Logo em seguida, foi chamada por uma organização não governamental (ONG) para trabalhar em uma das suas oficinas, capacitando deficientes físicos para o mercado de trabalho. Na Associação Beneficente Caminho de Luz (Abecal), Eliana então entendeu o sentido das palavras que havia ouvido quatro anos antes: “A quem muito foi dado, muito será cobrado”. “Os meus 40 alunos têm problemas alérgicos e um deles tem até síndrome do pânico”, afirma. “Eu precisei passar por tudo isso para que pudesse entendê-los e ajudá-los”, diz Eliana, chamada de “professorinha” pelos alunos, a quem também auxilia com orientação pessoal.

Hoje, ela se diz realizada. “Ganho menos, mas poder financeiro não significa nada se você não tem uma base espiritual”, afirma. Agora, as únicas “vozes” ouvidas internamente dizem “força, ousadia, coragem e determinação”. "São as quatro forças que me movem”.

Depoimento de Eliana Marcedo a Daniele Madureira.

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