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Caso Clínico - Quando o orgulho se dobra à fé

Shizuo Yamane precisou perder os movimentos para ter certeza da existência divina

Depois de 12 anos de vida conjugal, o dentista aposentado Shizuo Yamane e a funcionária pública Rosemary dos Santos decidiram oficializar a sua união. Casaram-se em 12 de maio do ano passado, em Sorocaba, a 92 quilômetros da capital paulista. Para surpresa dos dois, no entanto, o período seguinte ao enlace teve muito pouco de lua de mel.

Shizuo foi internado no dia 21, apenas nove dias depois do casamento. Sofreu uma crise aguda de esofagite (inflamação da mucosa que recobre o interior do esôfago) e pancreatite (inflamação do pâncreas). Os males causaram surpresa, porque Shizuo, então com 68 anos, nunca havia tido problemas nesses órgãos. O dentista chegou a ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba. Ficou por 15 dias em tratamento, até receber alta.

Uma semana depois, ele voltou ao leito do hospital, desta vez, com bursite (inflamação entre o tendão e a pele) e infecção urinária. Ficou mais uma semana internado. Retornou para casa, onde permaneceu por apenas quatro dias. Pela terceira vez em menos de dois meses, voltou ao hospital, sentindo fortes dores na coluna. Exames de raio-x identificaram uma erosão na sétima e na oitava vértebras. Passou mais 12 dias de cama.

Prótese, pino ou placa

Ao ver os exames, a médica ortopedista de uma clínica particular que atendeu Shizuo disse que poderia se tratar de uma inflamação, uma infecção ou até mesmo um câncer. O paciente procurou outro especialista na Santa Casa de Misericórdia, que descartou o risco de câncer, mas informou Shizuo que, por conta da gravidade do problema, seria necessário colocar uma prótese, um pino ou uma placa na coluna do paciente, para que ele pudesse voltar a andar normalmente, uma vez que o trecho correspondente à sétima e à oitava vértebras estava muito erodido.

Shizuo se lembra bem do momento em que sentiu pavor diante da sua condição. “O médico disse que eu poderia voltar para casa e fazer o tratamento nos meses seguintes à base de antibióticos. Mas uma noite, em setembro, acordei para ir ao banheiro e não consegui mais me movimentar. Já não sentia mais as minhas pernas. Foi horrível”, lembra o dentista.

O paciente foi buscar ajuda no Hospital de Clínicas da Universidade de Campinas (Unicamp). Lá, foi diagnosticado com espondilite anquilosante – uma doença inflamatória crônica que afeta as articulações do esqueleto axial, especialmente as da coluna. De acordo com a literatura médica, por enquanto, não existe cura e, se a doença não for tratada, pode impedir todo e qualquer movimento.

Mercúrio

As causas da espondilite anquilosante, que afeta mais homens do que mulheres, todos acima dos 40 anos, são desconhecidas. Shizuo suspeita das razões que podem ter motivado a doença. “Na maior parte da minha carreira como dentista inalei muito mercúrio. Nunca adotei todas as precauções que hoje os cirurgiões dentistas costumar tomar: usar máscaras, luvas, gorros etc. Acredito que entrei em contato por muito tempo com materiais tóxicos”, afirma.

O amálgama de prata, material restaurador utilizado na odontologia, contém mercúrio, metal pesado, tóxico para os seres vivos e o meio ambiente.

 

 

Shizuo começou a emagrecer violentamente. O aposentado de 69 anos e 84 quilos, que gostava de jogar beisebol aos fins de semana com os amigos, amargava 57 quilos sobre uma cama. “Quando vi que minhas pernas eram só umas pelancas, chorei muito”, diz. Ele sentia dores por todo o corpo, não se movimentava quase nada, dormia sempre na mesma posição, recebia comida na boca. Para aliviar a dor, se automedicava com morfina – obtida por intermédio dos amigos da área de saúde. Rose, de 45 anos, precisou pedir dispensa do seu trabalho na Prefeitura de Sorocaba para cuidar do marido. “Ele sentia dores terríveis”, lembra.

Casa do Caminho

Por meio de um amigo, Shizuo soube que o centro espírita Casa do Caminho, em Ibiúna (SP), estava oferecendo atendimento espiritual de cura. O médium Laerson Cândido de Oliveira, presidente do Instituto Espírita Cidadão do Mundo (IECIM), atende na Casa do Caminho sempre no último domingo de cada mês. Em outubro, Shizuo procurou ajuda em Ibiúna.

“Como descendente de japoneses, herdei o budismo do meu pai”, diz Shizuo. Mas o Espiritismo não era novidade para o dentista. Rose, sua mulher, é espírita e médium praticante. Bem antes de se unir a Rose, no entanto, quando ainda estava no seu primeiro casamento, Shizuo foi acometido de fortes cólicas renais. Conseguiu ajuda em um centro em Indaiatuba (SP). “Sempre obtive muitas graças no Espiritismo e não titubeei quando surgiu a oportunidade da Casa do Caminho”, disse.

Na primeira vez no centro espírita de Ibiúna, Shizuo sentiu grande paz. Pensou que seria operado imediatamente. Mas foi apenas quando retornou no mês seguinte, em novembro, que passou por uma cirurgia. Em dezembro, mais uma vez, se submeteu a uma intervenção médica espiritual. “Desde dezembro, comecei a me sentir melhor. Em janeiro, finalmente, deixei de ficar a maior parte do tempo na cama”, lembra Shizuo.

Reconstrução da coluna

Quando, no início desse ano, retornou ao ortopedista levando novos exames laboratoriais e de radiografia, o especialista levou um susto. “Ele disse que a minha coluna havia sido praticamente reconstruída. E tinha sido mesmo. Mas o médico não sabia o que tinha acontecido, eu sim”, diz Shizuo. O ortopedista disse a Shizuo que ele não precisava mais andar arcado, com medo. Poderia andar, se movimentar. “Foi quando eu percebi que eu mesmo estava limitando os meus movimentos. Isso não fazia mais sentido”.

Shizuo voltou a ganhar peso e está com 74 quilos. “Hoje ele está perfeito, come como uma draga” brinca Rose. O dentista se sente, realmente, um novo homem. E Rose atesta isso. “Na dor e no sofrimento, nós aprendemos muita coisa. Meu marido é hoje um homem completamente transformado, a luta não foi em vão”. Segundo Rose, Shizuo aprendeu a ser mais humilde, olhar as pessoas como iguais, sem que as diferenças de nível econômico ou intelectual façam alguém melhor ou pior que o outro. “Agradeço a Deus todos os dias pela oportunidade que nos deu”, diz ela.

Shizuo concorda. “Quando era jovem, chegava a questionar: será que Deus existe mesmo? Hoje só tenho uma verdade: acima de todos nós, existe Deus”.

 

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